20 dezembro 2025

Da Palavra à Telepatia: a Evolução da Comunicação e o Futuro da Consciência Coletiva - Wilson Garcia

Da Palavra à Telepatia: a Evolução da Comunicação e o  Futuro da Consciência Coletiva 

Wilson Garcia – professor universitário, jornalista, escritor, mestre em Comunicação e Mercado, presidente do Centro de Pesquisas e Documentação Espírita (CPDoc 2020/2024), Ouvidor da Fundação Porta Aberta (FPA), membro do Conselho da Fundação Maria Virgínia e José Herculano Pires.


Com a inteligência artificial (IA) generativa, a linguagem parece ter adquirido autonomia algorítmica. Essa transformação inquieta e suscita a questão: onde se situa a inspiração — especialmente em sua dimensão espiritual — quando a escrita já não emerge apenas da pena humana, mas da interação com uma máquina capaz de produzir textos?

No âmbito do Espiritismo, essa indagação assume contornos profundos e uais. A doutrina afirma que “os Espíritos influem em nossos pensamentos e em nossos atos, mais do que imaginamos” (KARDEC, 1857, q. 459), estabelecendo que toda inteligência encarnada é participante de um campo mental mais amplo, no qual entidades espirituais, afins ou discordantes, podem atuar pela via da inspiração. Surge, assim, uma questão decisiva: a influência dos Espíritos permanece operante quando o escritor utiliza a inteligência artificial como mediadora de sua produção intelectual? Ou estaria o campo da criação humana agora invadido por um artefato sem alma, que substitui a mediação espiritual por uma combinação estatística de dados?

05 dezembro 2025

ESPIRITISMO, LAICIDADE, LIVRE PENSAR E AS RELAÇÕES COM A ATUALIDADE - Milton Rubens Medran Moreira

 

             ESPIRITISMO, LAICIDADE, LIVRE PENSAR E AS RELAÇÕES COM A ATUALIDADE

          


Milton Rubens Medran Moreira, Procurador de Justiça aposentado, Advogado e Jornalista, foi diretor de Comunicação da Federação Espírita do Rio Grande do Sul onde dirigiu a revista “A Reencarnação”, é membro do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre do qual foi Presidente, Diretor de Comunicação Social e Fundador/Diretor, por 30 anos, do Jornal CCEPA OPINIÃO. Autor de vários livros espíritas. Ex-presidente da CEPA (2000/2008).

 

A religião e o laicismo

No dia 23 de setembro de 2012, quando ainda ocupava o trono da Santa Sé o pontífice recentemente desencarnado Bento XVI, publiquei no mais importante jornal de Porto Alegre, Zero Hora, o artigo “O Papa e o Laicismo”.

Comecei o texto reconhecendo: “Andou muito bem o Papa Bento XVI, em sua recente visita ao Oriente Médio, pedindo se respeite, ali, a liberdade religiosa e defendendo o laicismo por ele adjetivado como saudável”.

20 novembro 2025

Paranoia Obsidente - Salomão Jacob Benchaya

 

Paranoia Obsidente

 Salomão Jacob Benchaya - bacharel em Economia, ex- Presidente do Centro Cultural Espirita  de Porto Alegre- (CCEPA ), da Federação Espirita do Rio Grande do Sul, Diretor da CEPA Associação Espírita Internacional, um dos criadores do ESDES, colaborador do Jornal CCEPA- OPinião, um dos criadores do MEP - Movimento Espírita Progressista e Presidente eleito da CEPABrasil para o Biênio 2026/27.

Allan Kardec define obsessão como o “domínio que alguns espíritos logram obter sobre certas pessoas. Nunca é praticada senão pelos espíritos inferiores, que procuram dominar” (LM, Cap. XXIII, 237).

No movimento espírita, há um comportamento que merece ser analisado, com respeito a esse tema. Em não poucos Centros Espíritas, tornou-se comum recepcionar os frequentadores através de entrevistas, ou “diálogo fraterno”, em que são escutadas as queixas ou motivações para a procura do espiritismo. Como um grande número de pessoas busca socorro para suas aflições e que chegam angustiadas na Casa Espírita, estas recebem a prescrição de frequentar as sessões de “tratamento espiritual” ou de desobsessão, destinadas a proporcionar alívio e reequilíbrio psíquico-emocional ao indivíduo. Há um pressuposto de que as pessoas chegam “carregadas” e necessitam de uma “limpeza espiritual”. Isso me faz recordar de procedimento semelhante que ocorria em sessões de Umbanda que frequentei na minha juventude, em que os guias costumavam informar aos consulentes que precisavam “desmanchar um trabalho feito”. Em ambas as situações, é como se se dissesse à pessoa: - Você necessita de nós! Veja em que condições você está chegando! Já de início, uma relação de dependência e de submissão se estabelece. Em alguns centros, essa iniciação consiste em frequentar tantas sessões de desobsessão e tomar tantos passes.

05 novembro 2025

Perder o rumo - Cláudia Régis Machado

 

             Perder o rumo

                      Cláudia Régis Machado, psicóloga, psicopedagoga,          

 integrante do ICKS - Instituto    Cultural Kardecista de Santos

 

“A sinalização muda, o vento sopra em sentido contrário, o norte de repente vira sul, o leste vira oeste. É fácil sair do prumo, perder o rumo.”

Prumo ou rumo? Aqui não faz diferença. As duas expressões são válidas aqui, pois quando esta situação ocorre, sentimo-nos à deriva, frágeis e vulneráveis, ficamos perdidos. A vida nos surpreender muitas vezes nos empurrando para fora do prumo; fazendo-nos perder o rumo.

 Quem nunca perdeu o rumo? Muitas situações podem nos levar a este estado. Perdas de entes queridos, mudança de rotina, aposentadoria, o “ninho vazio”, doenças etc., são momentos ou melhor eventos que nos tiram o chão estabelecido, balançam a nossa estabilidade costumeira. Na maioria das vezes não sabemos lidar com as surpresas da vida, porém perder o rumo faz parte da dinâmica da vida, porque ninguém está livre destes acontecimentos.

20 outubro 2025

Polarização política - Milton R. Medran Moreira

 

Polarização política Opinião em Tópicos – Jornal CCEPA-Opinião de 15/11/2024
Milton R. Medran Moreira - Editor Chefe

Não sei onde vai parar essa polarização político-ideológica que tomou conta do Brasil.

Sei, sim, que, no campo das ideias políticas e sociais, há duas forças que, para todo sempre, hão de se digladiar.

Elas são tese e antítese que alimentam o fluir do processo político. Estão presentes na política porque, igualmente, movem o processo individual de crescimento do espírito humano.

Uma busca preservar os valores conquistados. A outra estimula mudanças mediante a superação do que ontem era um valor e hoje pode ser descartado porque incompatível com os novos tempos.

05 outubro 2025

MUJICA E O PROBLEMA DA VIOLÊNCIA UMA ANÁLISE ESPÍRITA, NÃO MORALISTA.- Ricardo de Morais Nunes

 


Ricardo de Morais Nunes, Servidor Público, Bel em Direito, Lic. em Filosofia, Presidente da CEPABrasil          

             

Em 13 de maio de 2025 faleceu José Alberto Mujica Cordano, mais conhecido     como Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai. Pensamos que para nós, espíritas, compreendermos um personagem com a história de Pepe Mujica, é necessário amplitude de pensamento, requer sairmos do senso comum, dos jargões simplistas e condenatórios, tão próprios da extrema direita de nosso tempo, a qual normalmente julga pela superfície das coisas, de forma moralista, sem ir à profundidade dos problemas, sem ir ao campo das intenções e, também, das estruturas sociais.

27 setembro 2025

Live de lançamento do Movimento Espírita Progressista (MEP) - dia 03/10/25, às 20h

 

no dia 03/10 às 20 h , venha participar da live de lançamento do Movimento Espírita Progressista (MEP)
Mais humano, mais conectado com as causas sociais e com o espírito do tempo.
Inscreva-se no canal, junte-se a esta construção coletiva!

https://www.youtube.com/@mepbrasilnet



20 setembro 2025

Do Progresso - Flávio C. Bello

 

 Flávio C. Bello - Formado em História na UFRGS, professor aposentado do ensino básico, espírita vinculado ao CCEPA e a casa espírita "A Nossa Casa" em Porto Alegre. Estudante da temática espírita com ênfase nas Leis Morais. 

 

“É precipitado e quase absurdo acreditar que o progresso deva

necessariamente ocorrer.” (Nietzsche)

Contextualizando e identificando pressupostos

 

Kardec estava inserido na mentalidade da “modernidade triunfante” do século XIX que via a rápida industrialização, urbanização e modernização tecnológica, apenas como evidências inequívocas de progresso da humanidade. Nesse contexto, nosso fundador pensava o progresso imerso na mentalidade positivista presente no espirit du temps do século XIX.

 

A certeza do progresso inexorável, automático, é característica do positivismo e da maioria dos pensadores iluministas, que transformaram a ideia de progresso em um dogma.

No anticlerical Iluminismo francês, a concepção de Providência assumiu um sentido mais deísta. Para os iluministas, não se necessita mais da intervenção direta e constante de um Deus transcendente, pois a ideia de progresso como uma lei natural imanente, que através da razão, conduziria a humanidade rumo à perfeição, seria uma “versão secularizada” da crença cristã na divina providência.

18 setembro 2025

EDITAL DE ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA E CONVOCAÇÃO DE ELEIÇÕES 2025 DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DELEGADOS E AMIGOS DA CEPA – CEPABRASIL

 

                                      

EDITAL DE ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA E CONVOCAÇÃO DE ELEIÇÕES 2025 DA

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DELEGADOS E AMIGOS DA CEPA – CEPABRASIL

Rua Castro Alves nº 54, Embaré, Santos, São Paulo

CNPJ 07.155.135/0001-75

Pelo presente Edital, nos termos do artigo 16, item 2, do Estatuto, convoco os associados para a Assembleia Geral Ordinária e de eleições 2025, estas referentes ao biênio 2026-2027, da Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA, CEPABrasil, a realizar-se no dia 18(dezoito) de outubro de 2025, às 16h30min, em primeira convocação, e em segunda e última convocação às 17h, com no mínimo cinco associados em pleno gozo dos seus direitos sociais (Art.10, parág.2º), com a seguinte ordem do dia: a) Apreciar o relatório de atividades da Associação; b) Aprovar o balanço financeiro da administração, após o parecer do Conselho Fiscal; c) Eleição para os cargos de Presidente, Vice-Presidente, Secretário, Tesoureiro, e quatro associados para compor o Conselho Fiscal, sendo o quarto suplente. A eleição dar-se-á por maioria simples, através de sufrágio universal direto. Sendo a eleição por chapa, não será permitido o voto nominal para cada cargo. A assembleia será realizada exclusivamente em modalidade virtual, através do aplicativo Zoom. O acesso ao ambiente virtual será pelo link:

https://us02web.zoom.us/j/88670232885?pwd=5CujULDjm1iUwqANHT1YB1kjn5kFBk.1

ID da reunião: 886 7023 2885

Senha: ASSEM

Cada associado terá direito a um só voto, sendo vedado o voto por procuração. Somente poderão votar e ser votados os associados que preencherem os requisitos previstos no artigo 5º, item 4 e parágrafo único do artigo 6º do Estatuto, cabendo à Secretaria confirmar e informar à Assembleia Geral sobre a regularidade estatutária dos associados. As deliberações serão aprovadas pelo voto concorde da maioria dos presentes. A posse dos eleitos ocorrerá no dia 1º (primeiro) de janeiro de 2026, conforme estabelece o artigo 13 do Estatuto. O pedido de registro de chapas será assinado por um dos seus integrantes, que passará a ser o representante da chapa. Será indicado somente um nome para cada cargo, a saber: Presidente, Vice-presidente, Secretário, Tesoureiro, e quatro nomes que irão compor o Conselho Fiscal. O pedido de registro deve ser encaminhado à Diretoria Administrativa até o dia 10 de outubro de 2025, ao seguinte endereço: Rua Castro Alves nº 54, CEP:11.040-190, Embaré, Santos, São Paulo, podendo ainda ser enviado por meio eletrônico, via Internet, para o e-mail: cepabrasil@gmail.com . A comunicação do deferimento ou impugnação do registro de chapas será pela mesma via que for recebida.

 

Santos(SP),15 de setembro de 2025.

 

         Ricardo de Morais Nunes - Presidente

05 setembro 2025

Allan Kardec e os conceitos de ‘verdade’ - Robson Santos de Oliveira

 


Robson Santos de Oliveira, Prof. Dr. Pela UFPE, formado      em Letras, Mestrado e Doutorado em Psicologia Cognitiva, estagio pós- doutoral em Linguística. Espírita desde 1980 (NEIL), Recife- PE.

 

Sobre o conceito de ‘verdade’

Ao analisar Kardec, em sua performance existencial, como organizador e referência histórico -conceitual do Espiritismo, é inescapável discutir os conceitos filosóficos de verdade.

A expressão 'verdade', cujo bojo traz discussões semânticas, epistemológicas e filosóficas complexas, também tangencia inevitavelmente para o campo das ciências e das religiões.

O que é a 'verdade' para a Filosofia, para a Ciência e para a Religião? Cada qual desses campos de saberes apresentará concepções que se opõem e que podem, muito raramente, se convergirem num modelo conceitual. Nesse sentido, Allan Kardec e os Espíritos colaboradores, acreditavam nesse escopo, na tentativa de condensar em um corpo doutrinário uma síntese possível como ciência experimental, como filosofia espiritualista e como uma religiosidade decorrente das duas anteriores.

20 agosto 2025

Kardec, raça e ciência - Matheus Laureano

                     

 

                  Kardec, raça e ciência, por Matheus Laureano 

Matheus Laureano é  Mestre em Psicologia Social,  escritor, Presidente da     ASSEPE  (www.assepe.org.br).Delegado da CEPA em João Pessoa-PB e membro da CEPABrasil, <mattheuslaureano@gmail.com>

O Espiritismo é uma doutrina em progresso. O Espiritismo também é uma doutrina pedagógica. É preciso considerar essas duas afirmações para um melhor entendimento do Espiritismo, pois se tivermos uma acepção de que o Espiritismo é algo pronto e acabado, não tem o que discutir, melhorar e nem mesmo modificar quaisquer das ideias e teorias espíritas. É uma doutrina pedagógica porque busca, principalmente, a melhoria da sociedade e dos indivíduos por meio da educação, do diálogo e da busca pela verdade.

Assim como os grandes gênios da humanidade, Kardec foi um homem de contradições. Primeiramente há que considerar a Doutrina Espírita uma obra muito mais dele que dos Espíritos desencarnados. Foi ele quem tomou todas as ações de pesquisar, que mensagens deveriam conter nas obras, quais foram os Espíritos escolhidos, quais eram os(as) médiuns de confiança e, mais que tudo, desenvolveu a teoria espírita baseada em seu arcabouço teórico e histórico. A genialidade de Kardec, entre outras coisas, se demonstra na capacidade que ele teve de se deparar com o fenômeno espírita, oferecer uma compreensão de toda a sua magnitude e buscar por toda a sua vida dar corpo pedagógico, tornando-o simples para a humanidade.

05 agosto 2025

Kardec, Racismo e Iconoclastia - Néventon Vargas

 Kardec, Racismo e Iconoclastia

Por Néventon Vargas: Engenheiro Civil, Licenciado em Física, militar inativo, membro da ASSEPE - Associação de Estudos e Pesquisas Espíritas de João Pessoa -PB e Assessor de Comunicação da CEPA Brasil.

  “Tudo que é dito revela-se mais claro que o não dito.”  (Sócrates)

 

A morte de George Floyd[1] nos EUA, em 25 de maio de 2020, desencadeou uma série de protestos pelo mundo, tendo, inclusive, como alvo inúmeros heróis históricos, cujas estátuas estão espalhadas pelos mais variados espaços em diversos países. Um dos alvos, Winston Churchill (1874-1965), por muitos considerado o principal herói da 2ª Guerra Mundial, cito aqui pela emblemática manifestação do atual premier britânico Boris Johnson:

“Sim, às vezes ele expressava opiniões que eram e são inaceitáveis para nós hoje, mas ele era um herói e merece esse memorial. Nós não podemos tentar editar ou censurar nosso passado. Não podemos fingir que temos uma história diferente” 

30 julho 2025

ESPÍRITAS PROGRESSISTAS DENUNCIAM MASSACRE EM GAZA

           


ESPÍRITAS PROGRESSISTAS DENUNCIAM MASSACRE EM GAZA

NOTA PÚBLICA DE REPÚDIO


Nós, os coletivos espíritas abaixo assinados, manifestamos nosso mais veemente repúdio às ações violentas e covardes das Forças Armadas de Israel que, sob o comando do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, vêm promovendo um verdadeiro genocídio na Faixa de Gaza. É profundamente comovente e revoltante assistir à morte de civis — incluindo crianças — por fome, sede e bombardeios, além de relatos gravíssimos de pessoas sendo alvejadas enquanto buscam alimentos. 

Diante desse cenário de barbárie, apelamos à Organização das Nações Unidas (ONU) e a todos os países democráticos e comprometidos com os direitos humanos para que se unam com urgência no esforço de cessar tais crimes de guerra. Que o governo de extrema-direita de Israel seja responsabilizado internacionalmente, e que o mundo se erga contra todas as formas de massacre, terrorismo e desumanização.

Reafirmamos, como herdeiros do legado de Allan Kardec, a defesa da paz, do diálogo entre os povos, do fim imediato dos ataques e da entrada de ajuda humanitária em Gaza. Isso é caridade em sentido macrossocial. 

Por uma Palestina livre onde todos possam viver com dignidade e justiça!

 

                                                                Publicado em 28 de julho de 2025

Assinam esta Nota:

1.      Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA (CEPABrasil) – Santos/SP

2.     Associação Brasileira Espírita de Direitos Humanos e Cultura de Paz (ABREPAZ) – Goiânia/GO

3.      Associação de Estudos e Pesquisas Espíritas de João Pessoa (ASSEPE)

4.      Associação Espírita de Pesquisas em Ciências Humanas e Sociais (AEPHUS) – Goiânia/GO

5.       Canal Cavanhaque de Kardec – Rio de Janeiro/RJ

6.       Canal You Tube Armas de Minerva – Rio de Janeiro/RJ

7.        Canal YouTube Suzana Leão – Novo Hamburgo/RS

8.        Centro Cultural Espírita de Porto Alegre (CCEPA)

9.        Centro de Pesquisa e Documentação Espírita (CPDOC) – Santos/SP

10.      Centro Espírita Herculano Pires (CEHP) – Rio de Janeiro/RJ

11.      Coletivo Ágora Espírita – Recife/PE

12.      Coletivo de Estudos Espiritismo e Justiça Social (CEJUS)

13.      Coletivo Espírita Maria Felipa – Salvador/BA

14.      Coletivo Girassóis - Espíritas pelo Bem Comum – Fortaleza/CE

15.      Cultura Espírita Livre-Pensar (CELP) – Curitiba/PR

16.       Espíritas à Esquerda (EàE) – Salvador/BA

17.       Fraternidade Espírita – Goiânia/GO

18.       Fronteiras do Pensamento Espírita – Goiânia/GO

19.       Grupo Espírita Livre Pensar (GELP) – Santos/SP

20.       Movimento Mundial de Mulheres Espíritas (MOVMMESP)

21.       Movimento pela Ética Animal Espírita (MOVE) – Rio de Janeiro/RJ

 

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20 julho 2025

Novo Pensar sobre o Mundo, capítulo 10 do livro: “Novo Pensar sobre Deus, Homem e Mundo” - Jaci Regis

Novo Pensar sobre o Mundo, capítulo 10 do livro: “Novo Pensar sobre Deus, Homem e Mundo”

 
Homenagem póstuma ao querido pensador espírita Jaci Regis, nascido na data de 30/10/1932 em Florianópolis e desencarnado no dia 13/12/2010, em Santos. Nossa gratidão e reconhecimento por seu legado ao espiritismo humanista, livre pensador, plural e progressista. 


 Gosto de pensar o mundo de forma positiva, mas não ingênua. 
 Passam pela mente o alarido das crianças, as campinas floridas, o amor entre as pessoas, a música, a paciência dos educadores, o trabalho silencioso e persistente dos pesquisadores, os benefícios da ciência e da tecnologia. Vivi pessoalmente grandes transformações tecnológicas que impulsionaram mudanças dramáticas no comportamento humano. 
 Vi explodir a liberação da mulher, a pílula anticoncepcional liberando o sexo feminino. Acompanho a expansão da vida corpórea, com base na saúde pública, na infraestrutura do saneamento básico. 
Na ascensão econômica de milhões. Não desconheço a multidão dos problemas, o terrorismo erguido como arma política e em nome de Deus. 
A miséria humilhante de milhões de pessoas em todo o mundo e principalmente na África. Individualmente cada pessoa, em qualquer parte, procura a felicidade, às vezes travestida em delinquência. Vivemos o mundo globalizado, interligado pelos meios de comunicação. 
A aldeia global se materializa pela internet, pelas comunicações via satélite. 
 Estamos no olho do furacão das notícias e informações de todas as partes, sofrendo as dores e os temores de todos os seres humanos espalhados pelo mundo afora. 
Tamanha carga de emoções exige um redimensionamento da mente, da percepção, da capacidade de priorizar, de decidir, de escolher. De ouvir e não ouvir. De ver e não ver. De falar ou calar. 
 As aldeias primitivas se transformaram em cidades, em metrópoles, em megalópoles. As distâncias se encurtam. 

 O papel das religiões 

 Apesar das mudanças fenomenais, podemos ainda dividir o mundo conforme a predominância dessa ou daquela religião. 
Se algumas religiões estão muito marcadas numa região, como o budismo, o hinduísmo e as religiões chinesas, por exemplo, o islamismo se distribui em muitas partes. Segundo estatísticas, o número de ateus e livres pensadores, principalmente no mundo ocidental, é expressivo. 
Mas a quantidade de profitentes das várias religiões é muito grande. 
Pode-se afirmar que cerca de 70% da população mundial tem ou é adepto de uma religião. 
Embora nominalmente, as igrejas cristãs continuem com milhões de fiéis, na prática, a quantidade de adeptos que frequentam, participam dos cultos é cada vez menor. 
 O que, entretanto, é notório, é a perda da força das igrejas como elementos determinantes da moral social. 
Nos países islâmicos a disciplina religiosa é férrea e seus 94 governos autocráticos e teocráticos estabelecem leis que inibem quaisquer tentativas de mudanças nos rituais e ordenações. Nos países ocidentais o laicismo estabeleceu novas regras. 
No seio das igrejas mais tradicionais dessas crenças ou paralelamente a elas, surgem movimentos fundamentalistas, que pretendem radicalizar a crença ou obstar o progresso, que atraem um público expressivo. 
A verdade é que as religiões em toda a história, são movimentos organizados para exercer o poder. Promovem a fé, mas não a espiritualidade. 
Através do culto exterior, das ordenações, exaltam a profusão da fé sem fundamento espiritual. Atendem aos desejos de uma grande parte que se sente mais ou menos desprotegida dos seus deuses. 
Os crentes querem receber benefícios e já não falam das bem-aventuras depois da morte, mas o bem-estar, a pujança, a riqueza aqui e agora. 
São meras distorções e atualizações convenientes das tradições. Perante o quadro de deterioração da crença religiosa ancestral, essas novas táticas se apresentam como uma espécie de boia de salvação da tentativa do ser humano de permanecer na tona nesse mar de indefinições. 

 Modelo “civil“ ou direitos humanos 

 É importante assinalar que o domínio absoluto das normas morais e éticas das religiões e, no que nos toca, do cristianismo, permitiu que se disseminassem conceitos cruéis de discriminação humana. 
 Sob o modelo cristão, floresceram a escravidão, a inferioridade da mulher, se adotou e aceitou legal e moralmente que determinadas raças eram inferiores às outras e que podiam ser exploradas. 
 No século vinte, sacudido por duas grandes guerras e, principalmente depois de 1945, com a criação da ONU – Organização das Nações Unidas, o pensamento laico, humanista, se impôs e em 1948 foi lançada a Declaração dos Direitos Humanos. 
A Declaração é uma ordem moral universal, estabelecendo princípios que a maioria deseja para permitir uma relação de dignidade e respeito pela pessoa humana em qualquer parte do mundo. 
É uma relação de princípios que as nações decidiram aceitar como direitos dos cidadãos, apesar de não serem aceitos ou totalmente aplicados principalmente nos países de estrutura não democrática, dominados por religiões extremistas. 
Na verdade, muitos dos princípios são declaradamente contrários às práticas determinadas pelos regimes teocráticos e ditatoriais e pelas igrejas dominadoras. Apesar das grandes falhas e dificuldades essa Declaração está como desafios que, todavia, só serão implementados conforme as religiões forem superadas com seus dogmas e ordenações tradicionais. Através da Declaração existe a proposta de criar uma sociedade relativamente igualitária. 
Primeiramente com a força das leis e, posteriormente como normas de vida. Os esforços para implantar o respeito aos direitos humanos representam uma derrota para os modelos criados pela teologia de todos os tempos. 

 Um novo olhar sobre a moral 

 A moral é mutável. Representa o desejo ou a aceitação tácita de comportamentos que mobilizam as pessoas e estabelece um quadro de compensação social. 
É por isso que os mais antigos se referem “ao seu tempo” como melhor, mais equilibrado e respeitoso. A juventude atual é responsabilizada pela aparente desarticulação do ambiente contemporâneo, mais permissivo, mais revolucionário. 
 A variedade evolutiva dos Espíritos que constituem a humanidade encarnada e desencarnada do mundo permite uma análise menos extremista do ser humano. 
 Os valores morais estabelecidos pela cultura são basicamente válidos. Entretanto, há uma perversão de conceitos ao se criar certos padrões que não ajudam o crescimento das pessoas. 
A espada sobre a cabeça criada pelos conceitos religiosos de culpa e pecado cria uma situação contraditória. De um lado há a tentação de infringi-los, contrariara-los. 
De outro a tensão interior dos que aceitam ou admitem esses critérios e se vem chocados com suas realidades e desejos. 
 A transformação da divindade em tribunal é uma invenção das religiões. 
Elas se esmeram em apresentar uma imagem da divindade como reativa, punitiva, sujeita a humores. A divindade cria, expande e mantém a vida para a felicidade e não para a dor. 
 Então, por que as pessoas sofrem? Quem determina a dor, a doença, a opressão, a miséria? Devemos superar a tentação de simplificar o quadro das realidades do sofrimento humano, com explicações convenientes, como a exigência de pagamento de supostas dívidas do ser humano com Deus. A compreensão ampla da vida do ser espiritual, no roteiro de repetição, reajuste e prosseguir apesar de tudo, que caracterizam a humanidade, indicam que todos os mecanismos da vida estão à nossa disposição para crescer, superar e, finalmente, ser feliz. Partindo do princípio de que Lei Natural não é moral. Temos elementos para um novo olhar sobre o porquê da vida e a natureza evolutiva do ser humano. 
Essa visão diferenciada não pretende justificar o que cada pessoa sente em si mesmo, mas dar uma explicação plausível para o quadro tão disforme e tão conflitante da humanidade. 
Não estamos falando propriamente das diferenças culturais, sociais, mas não desconsideramos a influência desses fatores na relação da pessoa consigo mesma, com o próximo e com o social, de modo amplo. Certamente as restrições, as superstições, enfim, todo o aparato místico-religioso serviu e serve ainda como limite para nortear ou pelo menos condicionar o pensamento, o comportamento humano. E, também, para provocar revolta e decepções. 
Se os valores são eleitos, admitidos, absorvidos, servem de parâmetro para a moral, para dizer que isso ou aquilo é certo ou errado. 
Embora não haja possibilidade de entender todas as nuances da vida, nada na natureza autoriza o modelo de pecado e punição secular. Essa condição tem sido um peso muito grande na consciência e não se pode desprezar a importância dos valores auto estabelecidos. 
Freud disse que ninguém foge de si mesmo. 
Então não se trata de dizer que não há culpa, pois ela existe. 
 O que não há é o pecado, porque não existe essa relação de infração da Lei. 


 A afetividade, ruína e ascensão 

 A descoberta do outro, gera paixão. Aí começa toda a trama da afetividade, da noção de identidade e os conflitos da posse, do poder, do amor, do ódio. Ou seja, toda a gama afetiva que a relação humana desenvolve gera e transforma. 
A relação afetiva produz uma cadeia de elos que ligam as pessoas entre si. 
O processo reencarnatório exprime essa polarização através das reações e ações passionais, carinhosas ou agressivas que compõem a realidade das relações humanas. Essa confusa sequência de relações está inserida no livre arbítrio que permite agir com certa, porém não infinita liberdade. 
Porque a lei de causa e efeito estabelece a reciprocidade de ações, de modo que o equilíbrio será, ao final, encontrado para que haja possibilidade de vivência produtiva. 
Por isso, o aparente caos nas relações humanas é um processo rotatório, dinâmico. Revisado constantemente, resulta numa forma de coexistência, abre oportunidade de resolução das questões internas que desiquilibram o Espírito, possível principalmente pela mobilidade que a encarnação e reencarnação possibilitam. 
O ciclo – nascer, viver, morrer, renascer – é o vetor que possibilita, pelo choque que promove, a renovação de estados mentais depressivos, confusos e maldosos. Embora, a dor, o sofrimento, amor e ódio, sejam próprios do Espírito em qualquer plano em que exista, é na vida corpórea que, devido à renovação das personalidades, encontram um espaço concreto e efetivo de resolução. 
Somente essa perspectiva poderá dissolver a aparente contradição entre livre arbítrio, como instrumento de expansão e evolução do ser inteligente e a Lei. Isto é, não existem limites morais na Lei. 
Os limites não estão fora, mas delineados e funcionam inevitavelmente dentro do universo pessoal, nos mecanismos dos condicionamentos e choques de valores como medo, o poder e todos os demais processos de vivência e conflito que o Espírito enfrenta. Entretanto, onde buscar inspiração para o comportamento? 
Nas lições do evangelho, Allan Kardec buscou a inspiração segura para o desenvolvimento ético e moral que o Espiritismo propõe. Junto e além de qualquer lição moral ou de evangelização, o que importa, sobretudo, é que a noção de imortalidade se estabeleça como parte da estrutura do ser humano. A perspectiva real da imortalidade é o caminho da elevação pessoal e social humana. 
Não há lugar para um salvador. Mas, positivamente, tem lugar para as lições de Jesus de Nazaré, e de todas as lições de profetas e reveladores que constituem o conjunto de elevação pessoal, em direção ao equilíbrio mais amplo de si mesmo. 
A Terra é azul, gira no silêncio do cosmo cumprindo o seu roteiro. 
Cada uma das pessoas gira em torno de si mesma em busca do outro. Isso é vida e vida dinâmica, que inclui dor, alegria, lágrimas e sorrisos. Mas somente a persistência do ser que cada um é, além da morte e antes do túmulo será o sinal para uma nova etapa da humanidade.

05 julho 2025

HUMANOS, SOMENTE HUMANOS - Maurice Herbert Jones

 

HUMANOS, SOMENTE HUMANOS

Postamos este artigo como homenagem póstuma ao querido Maurice Herbert Jones, pensador espírita desencarnado em 20/06/2021, aos 92 anos. Com nossa gratidão pelo legado ao espiritismo livre-pensador, humanista, plural e progressista.


Maurice Herbert Jones, ex-Presidente da Federação Espírita do Rio Grande do Sul; ex-Presidente do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre; ex-Assessor Especial da Presidência da CEPA. 

“O homem é a única criatura que se recusa a ser o que ela é”. 
Albert Camus

       O enorme contingente de criaturas que, em todo o mundo, se dedica com amor a atividades de promoção do ser humano nos convida a fazer uma reflexão sobre nosso papel e, sobretudo, sobre a inspiração e os motivos que nos levam a trabalhar e a sofrer por ideais de natureza filosófica, política ou religiosa buscando, consciente ou inconscientemente, aperfeiçoar o que nos parece imperfeito, participando assim da construção de um mundo que possa ser mais amado. Por que fazemos o que fazemos? Por que ao invés de somente viver e sobreviver, aceitando obedientemente o cenário e o texto que nos é oferecido, resolvemos desobedecer e sonhar e plantar jardins, construir tambores, flautas e harpas, escrever poemas, construir casas, teatros, universidades, cidades?

   Isto faz de nós, realmente, criaturas singulares no concerto da natureza que conhecemos. Diferentemente dos animais, perfeitamente ajustados ao mundo físico, os homens parecem ser, constitucionalmente, desadaptados ao mundo tal como ele lhes é dado.

   O psicanalista e escritor Rubem Alves, que nos inspira nesta reflexão, diz que uma das respostas a este tipo de indagação é que o homem, antes de ser racional, é um ser de desejo. Desejo é sintoma de privação, de ausência e pertence aos seres que se sentem insatisfeitos com o que o espaço e o tempo presente lhes oferecem. Eles sabem que o mundo é uma construção e, portanto, perfectível. Sofremos de uma “nostalgia do futuro”, uma espécie de saudade de um tempo que há de vir que começa no momento mágico, naquele ponto de mutação em que, com o despertar da razão, foi firmado o contrato de parceria com a Inteligência Suprema que inaugurou a história humana.

   Esta é a glória e, ao mesmo tempo, a maldição da condição humana. Na busca deste mundo mais perfeito que os homens desejam, imaginam e, a pouco e pouco, constroem, empenhamos as mais nobres das nossas qualificações morais e intelectuais, mas como contrapartida, temos que enfrentar a maldição da neurose e o terror da angústia, inexistentes no paraíso da natureza infra-humana.   A harmonia original, pré-individualista, é substituída pelo conflito e pela luta, recursos pedagógicos utilizados para desenvolver nossa capacidade de pensar e de amar. A Inteligência Suprema, de certa forma presente no recôndito das estruturas mais sutis da nossa individualidade, não bloqueia e sim estimula, permanentemente, a parceria humana, mesmo quando incipiente e desastrada.

   Somos o que somos porque para isto fomos inteligentemente programados. Viver, viver mais, viver melhor é a legenda que sintetiza todas as motivações humanas.

   Fazemos o que fazemos porque somos humanos, somente humanos.

 

20 junho 2025

Dignidade e Indignação - Milton R. Medran Moreira

 Dignidade e Indignação 
Editorial do CCEPA Opinião de setembro/2013, 
Editor Chefe: Milton R. Medran Moreira                                                                                                  

"A cultura do espírito aumenta os sentimentos de dignidade e de independência." (Herbert Spencer)

          A luta pela dignidade humana nasce da indignação. A capacidade de indignar-se diante da injustiça, da desigualdade, das violações à liberdade, da corrupção, é o combustível que move o indivíduo e as coletividades à efetiva ação por uma sociedade melhor.

          É preciso ter isso presente ao se analisar os movimentos sociais que, neste momento, marcam as relações entre segmentos da sociedade e o poder. Eles são indício do amadurecimento dessa capacidade de indignação que explode, reivindicando mudanças. Quem é capaz de se indignar mostra crescimento de conscientização de seu próprio potencial transformador e se sente estimulado à concreta ação transformadora.

          Mas afoitos, nem sempre e nem todos os jovens levam em conta um aspecto: a democracia, suada conquista que mal começa a se consolidar entre nós, também nasceu e se institucionalizou a partir da indignação e da ação destemida de gerações precedentes. Etapa recente de nossa história institucional, a democracia não será capaz de sobreviver sem a ordem que lhe é elemento indispensável.

          Ao mesmo tempo em que assiste a uma saudável onda de manifestações em prol de inadiáveis melhorias no campo da educação, da saúde, da moralidade pública, a Nação também tem se deparado com lamentáveis cenas de invasão, depredações e vandalismo ao patrimônio público e privado. E esse não é um bom sinal. Retrata a presença entre nós de espíritos que se demoram em estágios de barbárie incompatível com os avanços éticos e sociais já conquistados. Sobra-lhes indignação, mas lhes falta civilidade. Educá-los é tarefa do Estado, da sociedade organizada e de cada um de nós mediante o exemplo e ações positivas em favor do bem.

                  

                     Impulsionar nossas momentâneas e circunstanciais

                     indignações à busca da dignificação integral do espírito

                     humano é tarefa que nos impõe a vida.

         

          A par da inserção social, no setor que melhor corresponda à capacidade individual de cada um, a nós, espíritas, cabe contribuir, fundamentalmente, com o que de melhor e mais genuíno tem o espiritismo: a sua filosofia, sua proposta de compreensão de homem e de mundo. A filosofia espírita é profundamente libertadora. Desperta no indivíduo a consciência de que ele é o primeiro agente da conquista de sua felicidade. E que esta é construção gradual que se estende vidas a fora, nas necessárias etapas do espírito rumo à plenitude. Essa visão gera sentimentos de solidariedade e de corresponsabilidade no progresso do mundo, de seus povos e instituições.

          Impulsionar, pois, nossas momentâneas e circunstanciais indignações à busca da dignificação integral do espírito humano é a tarefa que nos impõe a vida. Mas, isso exige de cada um, ordem, disciplina, obediência às leis, pois que, sem elas, ao invés de nos tornarmos agentes do progresso, estaremos dando margem ao retrocesso que atenta contra as leis da natureza.

17 junho 2025

05 junho 2025

CONTABILIDADE ESPIRITUAL - REINALDO DI LUCIA

 


CONTABILIDADE ESPIRITUAL

Reinaldo Di Lucia, engenheiro, amante da filosofia e dos debates espíritas. Fundador do Grupo de Pesquisas Científicas Ernesto Bozzano e membro do Centro Espírita Allan Kardec (CEAK) de Santos, do Centro de Pesquisa e Documentação Espírita (CPDoc) e do Cultura Espírita Livre Pensar (CELP) de Curitiba. Delegado Especial da CEPA.

Qual o objetivo da reencarnação?

Aparentemente, esta é uma pergunta básica no âmbito da doutrina espírita. Afinal, a reencarnação, considerada um dos pilares que sustentam o edifício teórico do espiritismo, é ideia muito debatida em palestras dos mais diversos gêneros, em todos os centros espíritas.

Ocorre que, infelizmente, há um erro de interpretação na razão de ser da reencarnação. O movimento espírita encara-a como sendo uma oportunidade dada por Deus para que os espíritos " resgatem os débitos do passado ", ficando, assim, quites com a lei divina, e prontos para recomeçar sua escalada evolutiva.

Os livros espíritas, especialmente os de autores desencarnados, são pródigos em estórias que exemplificam esta visão: desde cruéis senhores de engenho que, tendo maltratado seus escravos, renascem em absoluta pobreza, sofrendo o escárnio da sociedade até assassinos que devem morrer cruelmente, não faltam casos a exaltar a infalibilidade do velho ditado: aqui se faz, aqui se paga.

Àqueles que buscam um motivo teórico para estes casos é fornecida a explicação da lei de causa e efeito (ou, como é muito comum dizer-se, a lei do karma): uma vez violada a lei de Deus, o efeito é imediato, voltando ao infrator sobre a forma de sofrimento inevitável.

Deve-se ter em mente, contudo, que nada há, na base da filosofia espírita, que justifique a ideia de reencarnação como punição ou mesmo como resgate de faltas do passado. Kardec é claro ao postulá-la como prova, isto é, como oportunidade de o espírito refazer, em outra ocasião, a tarefa que não pode ou não soube realizar a seu tempo.

Mesmo se não se levar em consideração o argumento de autoridade, isto é, deixando de lado o que diz Kardec, a própria razão deveria levar a esta conclusão. A reencarnação como punição nada mais é que uma reedição da pena de Talião, o famoso olho por olho, dente por dente. No fundo, é apenas uma vingança, cujas reações, apesar de diferentes, são igualmente funestas. Na melhor das hipóteses, o espírito reencarnante resigna-se a um destino doloroso, do qual ele não pode fugir, não atuando proativamente em benefício de uma efetiva regeneração íntima. Na pior das hipóteses, a reação é de revolta, atrasando ainda mais o processo evolutivo.

O sofrimento não pode, de maneira alguma, estar previsto na lei natural, como punição inexorável àqueles que a violam. Sofrimento é uma reação pessoal a fatos da vida, estes sim relacionados diretamente às ações de cada espírito, encarnado ou não. Aqueles que conseguem ter uma atitude positiva perante a vida, pouco sofrem; já os que veem no próprio fato de viver um fardo insuportável (oh! vida, oh! azar...) sofrerão sempre, por menores que sejam as vicissitudes por que passam.

Reencarnação é prova, tal como provas há em qualquer escola aqui na Terra. É uma oportunidade fantástica de aprendizado, possibilitando a cada espírito demonstrar, para si mesmo, que pode continuar sua escala evolutiva em outros níveis.

O espiritismo é, por si só, uma filosofia altamente consoladora. Não deve incorporar o sofrimento existente em outras doutrinas, muletas que, a pretexto de ajudar, obstruem o caminho evolutivo do ser. A evolução deve ser feliz e prazerosa, mesmo quando difícil. E isto, quem faz somos nós mesmos