24 dezembro 2025
20 dezembro 2025
Da Palavra à Telepatia: a Evolução da Comunicação e o Futuro da Consciência Coletiva - Wilson Garcia
Da Palavra à Telepatia: a Evolução da Comunicação e o Futuro da Consciência Coletiva
Com a inteligência artificial (IA) generativa, a linguagem parece ter adquirido autonomia algorítmica. Essa transformação inquieta e suscita a questão: onde se situa a inspiração — especialmente em sua dimensão espiritual — quando a escrita já não emerge apenas da pena humana, mas da interação com uma máquina capaz de produzir textos?
No âmbito do Espiritismo, essa indagação assume contornos profundos e uais. A doutrina afirma que “os Espíritos influem em nossos pensamentos e em nossos atos, mais do que imaginamos” (KARDEC, 1857, q. 459), estabelecendo que toda inteligência encarnada é participante de um campo mental mais amplo, no qual entidades espirituais, afins ou discordantes, podem atuar pela via da inspiração. Surge, assim, uma questão decisiva: a influência dos Espíritos permanece operante quando o escritor utiliza a inteligência artificial como mediadora de sua produção intelectual? Ou estaria o campo da criação humana agora invadido por um artefato sem alma, que substitui a mediação espiritual por uma combinação estatística de dados?
05 dezembro 2025
ESPIRITISMO, LAICIDADE, LIVRE PENSAR E AS RELAÇÕES COM A ATUALIDADE - Milton Rubens Medran Moreira
ESPIRITISMO,
LAICIDADE, LIVRE PENSAR E AS RELAÇÕES COM A ATUALIDADE
A religião e o
laicismo
No dia 23 de setembro de 2012, quando ainda ocupava o trono da Santa Sé o pontífice recentemente desencarnado Bento XVI, publiquei no mais importante jornal de Porto Alegre, Zero Hora, o artigo “O Papa e o Laicismo”.
Comecei o texto reconhecendo: “Andou muito bem o Papa Bento XVI, em sua recente visita ao Oriente Médio, pedindo se respeite, ali, a liberdade religiosa e defendendo o laicismo por ele adjetivado como saudável”.
20 novembro 2025
Paranoia Obsidente - Salomão Jacob Benchaya
Paranoia Obsidente
Salomão Jacob Benchaya - bacharel em Economia, ex- Presidente do Centro Cultural Espirita de Porto Alegre- (CCEPA ), da Federação Espirita do Rio Grande do Sul, Diretor da CEPA Associação Espírita Internacional, um dos criadores do ESDES, colaborador do Jornal CCEPA- OPinião, um dos criadores do MEP - Movimento Espírita Progressista e Presidente eleito da CEPABrasil para o Biênio 2026/27.
Allan Kardec define obsessão como
o “domínio que alguns espíritos logram obter sobre certas pessoas. Nunca é
praticada senão pelos espíritos inferiores, que procuram dominar” (LM, Cap.
XXIII, 237).
No movimento espírita, há um comportamento que merece ser analisado, com respeito a esse tema. Em não poucos Centros Espíritas, tornou-se comum recepcionar os frequentadores através de entrevistas, ou “diálogo fraterno”, em que são escutadas as queixas ou motivações para a procura do espiritismo. Como um grande número de pessoas busca socorro para suas aflições e que chegam angustiadas na Casa Espírita, estas recebem a prescrição de frequentar as sessões de “tratamento espiritual” ou de desobsessão, destinadas a proporcionar alívio e reequilíbrio psíquico-emocional ao indivíduo. Há um pressuposto de que as pessoas chegam “carregadas” e necessitam de uma “limpeza espiritual”. Isso me faz recordar de procedimento semelhante que ocorria em sessões de Umbanda que frequentei na minha juventude, em que os guias costumavam informar aos consulentes que precisavam “desmanchar um trabalho feito”. Em ambas as situações, é como se se dissesse à pessoa: - Você necessita de nós! Veja em que condições você está chegando! Já de início, uma relação de dependência e de submissão se estabelece. Em alguns centros, essa iniciação consiste em frequentar tantas sessões de desobsessão e tomar tantos passes.
05 novembro 2025
Perder o rumo - Cláudia Régis Machado
Cláudia
Régis Machado, psicóloga, psicopedagoga,
integrante do ICKS - Instituto Cultural
Kardecista de Santos
“A sinalização muda, o vento
sopra em sentido contrário, o norte de repente vira sul, o leste vira oeste. É
fácil sair do prumo, perder o rumo.”
Prumo ou rumo? Aqui não faz
diferença. As duas expressões são válidas aqui, pois quando esta situação
ocorre, sentimo-nos à deriva, frágeis e vulneráveis, ficamos perdidos. A vida
nos surpreender muitas vezes nos empurrando para fora do prumo; fazendo-nos
perder o rumo.
Quem nunca perdeu o rumo? Muitas situações podem nos levar a este estado. Perdas de entes queridos, mudança de rotina, aposentadoria, o “ninho vazio”, doenças etc., são momentos ou melhor eventos que nos tiram o chão estabelecido, balançam a nossa estabilidade costumeira. Na maioria das vezes não sabemos lidar com as surpresas da vida, porém perder o rumo faz parte da dinâmica da vida, porque ninguém está livre destes acontecimentos.
20 outubro 2025
Polarização política - Milton R. Medran Moreira
Milton R. Medran Moreira - Editor Chefe
Não sei onde vai parar essa
polarização político-ideológica que tomou conta do Brasil.
Sei, sim, que, no campo das
ideias políticas e sociais, há duas forças que, para todo sempre, hão de se
digladiar.
Elas são tese e antítese que
alimentam o fluir do processo político. Estão presentes na política porque,
igualmente, movem o processo individual de crescimento do espírito humano.
Uma busca preservar os valores conquistados. A outra estimula mudanças mediante a superação do que ontem era um valor e hoje pode ser descartado porque incompatível com os novos tempos.
05 outubro 2025
MUJICA E O PROBLEMA DA VIOLÊNCIA UMA ANÁLISE ESPÍRITA, NÃO MORALISTA.- Ricardo de Morais Nunes
Em 13 de maio de 2025 faleceu José Alberto Mujica Cordano, mais conhecido como Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai. Pensamos que para nós, espíritas, compreendermos um personagem com a história de Pepe Mujica, é necessário amplitude de pensamento, requer sairmos do senso comum, dos jargões simplistas e condenatórios, tão próprios da extrema direita de nosso tempo, a qual normalmente julga pela superfície das coisas, de forma moralista, sem ir à profundidade dos problemas, sem ir ao campo das intenções e, também, das estruturas sociais.
27 setembro 2025
Live de lançamento do Movimento Espírita Progressista (MEP) - dia 03/10/25, às 20h
https://www.youtube.com/@mepbrasilnet
20 setembro 2025
Do Progresso - Flávio C. Bello
Flávio C. Bello - Formado em História na UFRGS, professor aposentado do ensino básico,
espírita vinculado ao CCEPA e a casa espírita "A Nossa Casa" em Porto
Alegre. Estudante da temática espírita com ênfase nas Leis Morais.
“É precipitado e quase absurdo acreditar que o progresso deva
necessariamente ocorrer.” (Nietzsche)
Contextualizando e identificando pressupostos
Kardec estava inserido na mentalidade da “modernidade
triunfante” do século XIX que via a rápida industrialização, urbanização e modernização tecnológica, apenas como evidências inequívocas de progresso da humanidade. Nesse contexto, nosso fundador pensava
o progresso imerso na mentalidade positivista presente no espirit du temps do
século XIX.
A certeza do progresso inexorável, automático, é característica do positivismo e da maioria dos pensadores iluministas, que transformaram a ideia de progresso em um dogma.
No anticlerical Iluminismo francês, a concepção de Providência assumiu um sentido mais deísta. Para os iluministas, não se necessita mais da intervenção direta e constante de um Deus transcendente, pois a ideia de progresso como uma lei natural imanente, que através da razão, conduziria a humanidade rumo à perfeição, seria uma “versão secularizada” da crença cristã na divina providência.
18 setembro 2025
EDITAL DE ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA E CONVOCAÇÃO DE ELEIÇÕES 2025 DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DELEGADOS E AMIGOS DA CEPA – CEPABRASIL
EDITAL
DE ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA E CONVOCAÇÃO DE ELEIÇÕES 2025 DA
ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE DELEGADOS E AMIGOS DA CEPA – CEPABRASIL
Rua Castro Alves nº 54, Embaré, Santos, São Paulo
CNPJ
07.155.135/0001-75
Pelo presente Edital,
nos termos do artigo 16, item 2, do Estatuto, convoco os associados para a
Assembleia Geral Ordinária e de eleições 2025, estas referentes ao biênio
2026-2027, da Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA, CEPABrasil,
a realizar-se no dia 18(dezoito) de outubro de 2025, às 16h30min, em primeira
convocação, e em segunda e última convocação às 17h, com no mínimo cinco
associados em pleno gozo dos seus direitos sociais (Art.10, parág.2º), com a seguinte ordem do dia: a) Apreciar o relatório
de atividades da Associação; b) Aprovar o balanço financeiro da administração,
após o parecer do Conselho Fiscal; c) Eleição para os cargos de Presidente,
Vice-Presidente, Secretário, Tesoureiro, e quatro associados para compor o
Conselho Fiscal, sendo o quarto suplente. A eleição dar-se-á por maioria
simples, através de sufrágio universal direto. Sendo a eleição por chapa, não
será permitido o voto nominal para cada cargo. A assembleia será realizada
exclusivamente em modalidade virtual, através do aplicativo Zoom. O acesso ao
ambiente virtual será pelo link:
https://us02web.zoom.us/j/88670232885?pwd=5CujULDjm1iUwqANHT1YB1kjn5kFBk.1
ID da reunião: 886 7023
2885
Senha: ASSEM
Cada associado terá
direito a um só voto, sendo vedado o voto por procuração. Somente poderão votar
e ser votados os associados que preencherem os requisitos previstos no artigo
5º, item 4 e parágrafo único do artigo 6º do Estatuto, cabendo à Secretaria
confirmar e informar à Assembleia Geral sobre a regularidade estatutária dos
associados. As deliberações serão aprovadas pelo voto concorde da maioria dos
presentes. A posse dos eleitos ocorrerá no dia 1º (primeiro) de janeiro de 2026,
conforme estabelece o artigo 13 do Estatuto. O pedido de registro de chapas
será assinado por um dos seus integrantes, que passará a ser o representante da
chapa. Será indicado somente um nome para cada cargo, a saber: Presidente,
Vice-presidente, Secretário, Tesoureiro, e quatro nomes que irão compor o
Conselho Fiscal. O pedido de registro deve ser encaminhado à Diretoria
Administrativa até o dia 10 de outubro de 2025, ao seguinte endereço: Rua Castro
Alves nº 54, CEP:11.040-190, Embaré, Santos, São Paulo, podendo ainda ser
enviado por meio eletrônico, via Internet, para o e-mail: cepabrasil@gmail.com
. A comunicação do deferimento ou impugnação do registro de chapas será pela
mesma via que for recebida.
Santos(SP),15
de setembro de 2025.
Ricardo de Morais Nunes - Presidente
05 setembro 2025
Allan Kardec e os conceitos de ‘verdade’ - Robson Santos de Oliveira
Sobre o conceito
de ‘verdade’
Ao analisar
Kardec, em sua performance existencial, como organizador e referência
histórico -conceitual do Espiritismo, é inescapável discutir os conceitos
filosóficos de verdade.
A expressão
'verdade', cujo bojo traz discussões semânticas, epistemológicas e filosóficas
complexas, também tangencia inevitavelmente para o campo das ciências e das
religiões.
O que é a 'verdade' para a Filosofia, para a Ciência e para a Religião? Cada qual desses campos de saberes apresentará concepções que se opõem e que podem, muito raramente, se convergirem num modelo conceitual. Nesse sentido, Allan Kardec e os Espíritos colaboradores, acreditavam nesse escopo, na tentativa de condensar em um corpo doutrinário uma síntese possível como ciência experimental, como filosofia espiritualista e como uma religiosidade decorrente das duas anteriores.
20 agosto 2025
Kardec, raça e ciência - Matheus Laureano
Kardec, raça e ciência, por Matheus Laureano
Matheus Laureano é Mestre em Psicologia Social, escritor, Presidente da ASSEPE (www.assepe.org.br).Delegado da CEPA em João Pessoa-PB e membro da CEPABrasil, <mattheuslaureano@gmail.com>
O Espiritismo é uma doutrina em
progresso. O Espiritismo também é uma doutrina pedagógica. É preciso considerar
essas duas afirmações para um melhor entendimento do Espiritismo, pois se
tivermos uma acepção de que o Espiritismo é algo pronto e acabado, não tem o
que discutir, melhorar e nem mesmo modificar quaisquer das ideias e teorias espíritas.
É uma doutrina pedagógica porque busca, principalmente, a melhoria da sociedade
e dos indivíduos por meio da educação, do diálogo e da busca pela verdade.
Assim como os grandes gênios da humanidade, Kardec foi um homem de contradições. Primeiramente há que considerar a Doutrina Espírita uma obra muito mais dele que dos Espíritos desencarnados. Foi ele quem tomou todas as ações de pesquisar, que mensagens deveriam conter nas obras, quais foram os Espíritos escolhidos, quais eram os(as) médiuns de confiança e, mais que tudo, desenvolveu a teoria espírita baseada em seu arcabouço teórico e histórico. A genialidade de Kardec, entre outras coisas, se demonstra na capacidade que ele teve de se deparar com o fenômeno espírita, oferecer uma compreensão de toda a sua magnitude e buscar por toda a sua vida dar corpo pedagógico, tornando-o simples para a humanidade.
05 agosto 2025
Kardec, Racismo e Iconoclastia - Néventon Vargas
Kardec, Racismo e Iconoclastia
Por Néventon Vargas: Engenheiro
Civil, Licenciado em Física, militar inativo, membro da ASSEPE -
Associação de Estudos e Pesquisas Espíritas de João Pessoa -PB e Assessor de
Comunicação da CEPA Brasil.
A morte de George Floyd[1] nos EUA, em 25 de maio de 2020, desencadeou uma série de protestos pelo mundo, tendo, inclusive, como alvo inúmeros heróis históricos, cujas estátuas estão espalhadas pelos mais variados espaços em diversos países. Um dos alvos, Winston Churchill (1874-1965), por muitos considerado o principal herói da 2ª Guerra Mundial, cito aqui pela emblemática manifestação do atual premier britânico Boris Johnson:
“Sim, às vezes ele expressava opiniões que eram e são inaceitáveis para nós hoje, mas ele era um herói e merece esse memorial. Nós não podemos tentar editar ou censurar nosso passado. Não podemos fingir que temos uma história diferente”
30 julho 2025
ESPÍRITAS PROGRESSISTAS DENUNCIAM MASSACRE EM GAZA
Diante desse cenário de
barbárie, apelamos à Organização das Nações Unidas (ONU) e a todos os países
democráticos e comprometidos com os direitos humanos para que se unam com
urgência no esforço de cessar tais crimes de guerra. Que o governo de
extrema-direita de Israel seja responsabilizado internacionalmente, e que o
mundo se erga contra todas as formas de massacre, terrorismo e desumanização.
Reafirmamos, como
herdeiros do legado de Allan Kardec, a defesa da paz, do diálogo entre os
povos, do fim imediato dos ataques e da entrada de ajuda humanitária em Gaza.
Isso é caridade em sentido macrossocial.
Por uma Palestina livre
onde todos possam viver com dignidade e justiça!
Publicado em 28 de julho
de 2025
Assinam esta
Nota:
1. Associação Brasileira de Delegados e
Amigos da CEPA (CEPABrasil) – Santos/SP
2. Associação Brasileira Espírita de
Direitos Humanos e Cultura de Paz (ABREPAZ) – Goiânia/GO
3. Associação de Estudos e Pesquisas
Espíritas de João Pessoa (ASSEPE)
4. Associação Espírita de Pesquisas em
Ciências Humanas e Sociais (AEPHUS) – Goiânia/GO
5. Canal Cavanhaque de Kardec – Rio de
Janeiro/RJ
6. Canal You Tube Armas de Minerva – Rio
de Janeiro/RJ
7. Canal YouTube Suzana Leão – Novo
Hamburgo/RS
8. Centro Cultural Espírita de Porto
Alegre (CCEPA)
9. Centro de Pesquisa e Documentação
Espírita (CPDOC) – Santos/SP
10. Centro Espírita Herculano Pires (CEHP)
– Rio de Janeiro/RJ
11. Coletivo Ágora Espírita – Recife/PE
12. Coletivo de Estudos Espiritismo e
Justiça Social (CEJUS)
13. Coletivo Espírita Maria Felipa –
Salvador/BA
14. Coletivo Girassóis - Espíritas pelo Bem
Comum – Fortaleza/CE
15. Cultura Espírita Livre-Pensar (CELP) –
Curitiba/PR
16. Espíritas à Esquerda (EàE) –
Salvador/BA
17. Fraternidade Espírita – Goiânia/GO
18. Fronteiras do Pensamento Espírita –
Goiânia/GO
19. Grupo Espírita Livre Pensar (GELP) –
Santos/SP
20. Movimento Mundial de Mulheres Espíritas
(MOVMMESP)
21. Movimento pela Ética Animal Espírita
(MOVE) – Rio de Janeiro/RJ
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20 julho 2025
Novo Pensar sobre o Mundo, capítulo 10 do livro: “Novo Pensar sobre Deus, Homem e Mundo” - Jaci Regis
05 julho 2025
HUMANOS, SOMENTE HUMANOS - Maurice Herbert Jones
HUMANOS, SOMENTE
HUMANOS
Postamos este artigo como homenagem póstuma ao querido Maurice Herbert Jones, pensador espírita desencarnado em 20/06/2021, aos 92 anos. Com nossa gratidão pelo legado ao espiritismo livre-pensador, humanista, plural e progressista.
Maurice Herbert Jones, ex-Presidente da Federação Espírita do Rio Grande do Sul; ex-Presidente do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre; ex-Assessor Especial da Presidência da CEPA.
O enorme contingente de criaturas que, em todo o mundo, se dedica com
amor a atividades de promoção do ser humano nos convida a fazer uma reflexão
sobre nosso papel e, sobretudo, sobre a inspiração e os motivos que nos levam a
trabalhar e a sofrer por ideais de natureza filosófica, política ou religiosa
buscando, consciente ou inconscientemente, aperfeiçoar o que nos parece
imperfeito, participando assim da construção de um mundo que possa ser mais
amado. Por que fazemos o que fazemos? Por que ao invés de somente viver e
sobreviver, aceitando obedientemente o cenário e o texto que nos é oferecido,
resolvemos desobedecer e sonhar e plantar jardins, construir tambores, flautas
e harpas, escrever poemas, construir casas, teatros, universidades, cidades?
Isto faz de nós, realmente, criaturas singulares no concerto da natureza
que conhecemos. Diferentemente dos animais, perfeitamente ajustados ao mundo
físico, os homens parecem ser, constitucionalmente, desadaptados ao mundo tal
como ele lhes é dado.
O psicanalista e escritor Rubem Alves, que nos inspira nesta reflexão,
diz que uma das respostas a este tipo de indagação é que o homem, antes de ser
racional, é um ser de desejo. Desejo é sintoma de privação, de ausência e pertence
aos seres que se sentem insatisfeitos com o que o espaço e o tempo presente
lhes oferecem. Eles sabem que o mundo é uma construção e, portanto,
perfectível. Sofremos de uma “nostalgia do futuro”, uma espécie de saudade de
um tempo que há de vir que começa no momento mágico, naquele ponto de mutação
em que, com o despertar da razão, foi firmado o contrato de parceria com a
Inteligência Suprema que inaugurou a história humana.
Esta é a glória e, ao mesmo tempo, a maldição da condição humana. Na busca
deste mundo mais perfeito que os homens desejam, imaginam e, a pouco e pouco,
constroem, empenhamos as mais nobres das nossas qualificações morais e
intelectuais, mas como contrapartida, temos que enfrentar a maldição da neurose
e o terror da angústia, inexistentes no paraíso da natureza infra-humana. A
harmonia original, pré-individualista, é substituída pelo conflito e pela luta,
recursos pedagógicos utilizados para desenvolver nossa capacidade de pensar e
de amar. A Inteligência Suprema, de certa forma presente no recôndito das
estruturas mais sutis da nossa individualidade, não bloqueia e sim estimula,
permanentemente, a parceria humana, mesmo quando incipiente e desastrada.
Somos o que somos porque para isto fomos inteligentemente programados.
Viver, viver mais, viver melhor é a legenda que sintetiza todas as motivações
humanas.
Fazemos o que fazemos porque somos humanos, somente humanos.
20 junho 2025
Dignidade e Indignação - Milton R. Medran Moreira
"A cultura do espírito aumenta os sentimentos de dignidade e de independência." (Herbert Spencer)
A
luta pela dignidade humana nasce da indignação. A capacidade de indignar-se
diante da injustiça, da desigualdade, das violações à liberdade, da corrupção,
é o combustível que move o indivíduo e as coletividades à efetiva ação por uma
sociedade melhor.
É preciso ter isso presente ao se
analisar os movimentos sociais que, neste momento, marcam as relações entre
segmentos da sociedade e o poder. Eles são indício do amadurecimento dessa
capacidade de indignação que explode, reivindicando mudanças. Quem é capaz de
se indignar mostra crescimento de conscientização de seu próprio potencial transformador
e se sente estimulado à concreta ação transformadora.
Mas afoitos, nem sempre e nem todos os
jovens levam em conta um aspecto: a democracia, suada conquista que mal começa
a se consolidar entre nós, também nasceu e se institucionalizou a partir da
indignação e da ação destemida de gerações precedentes. Etapa recente de nossa
história institucional, a democracia não será capaz de sobreviver sem a ordem
que lhe é elemento indispensável.
Ao mesmo tempo em que assiste a uma
saudável onda de manifestações em prol de inadiáveis melhorias no campo da
educação, da saúde, da moralidade pública, a Nação também tem se deparado com
lamentáveis cenas de invasão, depredações e vandalismo ao patrimônio público e
privado. E esse não é um bom sinal. Retrata a presença entre nós de espíritos
que se demoram em estágios de barbárie incompatível com os avanços éticos e
sociais já conquistados. Sobra-lhes indignação, mas lhes falta civilidade.
Educá-los é tarefa do Estado, da sociedade organizada e de cada um de nós mediante
o exemplo e ações positivas em favor do bem.
Impulsionar nossas
momentâneas e circunstanciais
indignações à busca da dignificação
integral do espírito
humano é tarefa que nos
impõe a vida.
A par da inserção social, no setor que
melhor corresponda à capacidade individual de cada um, a nós, espíritas, cabe
contribuir, fundamentalmente, com o que de melhor e mais genuíno tem o espiritismo:
a sua filosofia, sua proposta de compreensão de homem e de mundo. A filosofia
espírita é profundamente libertadora. Desperta no indivíduo a consciência de
que ele é o primeiro agente da conquista de sua felicidade. E que esta é
construção gradual que se estende vidas a fora, nas necessárias etapas do
espírito rumo à plenitude. Essa visão gera sentimentos de solidariedade e de
corresponsabilidade no progresso do mundo, de seus povos e instituições.
Impulsionar, pois, nossas momentâneas
e circunstanciais indignações à busca da dignificação integral do espírito
humano é a tarefa que nos impõe a vida. Mas, isso exige de cada um, ordem,
disciplina, obediência às leis, pois que, sem elas, ao invés de nos tornarmos
agentes do progresso, estaremos dando margem ao retrocesso que atenta contra as
leis da natureza.
17 junho 2025
05 junho 2025
CONTABILIDADE ESPIRITUAL - REINALDO DI LUCIA
CONTABILIDADE ESPIRITUAL
Qual o objetivo da reencarnação?
Aparentemente, esta é uma pergunta básica no âmbito da
doutrina espírita. Afinal, a reencarnação, considerada um dos pilares que
sustentam o edifício teórico do espiritismo, é ideia muito debatida em
palestras dos mais diversos gêneros, em todos os centros espíritas.
Ocorre que, infelizmente, há um erro de interpretação na
razão de ser da reencarnação. O movimento espírita encara-a como sendo uma
oportunidade dada por Deus para que os espíritos " resgatem os débitos do
passado ", ficando, assim, quites com a lei divina, e prontos para
recomeçar sua escalada evolutiva.
Os livros espíritas, especialmente os de autores
desencarnados, são pródigos em estórias que exemplificam esta visão: desde
cruéis senhores de engenho que, tendo maltratado seus escravos, renascem em
absoluta pobreza, sofrendo o escárnio da sociedade até assassinos que devem
morrer cruelmente, não faltam casos a exaltar a infalibilidade do velho ditado:
aqui se faz, aqui se paga.
Àqueles que buscam um motivo teórico para estes casos é
fornecida a explicação da lei de causa e efeito (ou, como é muito comum
dizer-se, a lei do karma): uma vez violada a lei de Deus, o efeito é imediato,
voltando ao infrator sobre a forma de sofrimento inevitável.
Deve-se ter em mente, contudo, que nada há, na base da
filosofia espírita, que justifique a ideia de reencarnação como punição ou
mesmo como resgate de faltas do passado. Kardec é claro ao postulá-la como
prova, isto é, como oportunidade de o espírito refazer, em outra ocasião, a
tarefa que não pode ou não soube realizar a seu tempo.
Mesmo se não se levar em consideração o argumento de
autoridade, isto é, deixando de lado o que diz Kardec, a própria razão deveria
levar a esta conclusão. A reencarnação como punição nada mais é que uma
reedição da pena de Talião, o famoso olho por olho, dente por dente. No fundo,
é apenas uma vingança, cujas reações, apesar de diferentes, são igualmente
funestas. Na melhor das hipóteses, o espírito reencarnante resigna-se a um
destino doloroso, do qual ele não pode fugir, não atuando proativamente em
benefício de uma efetiva regeneração íntima. Na pior das hipóteses, a reação é
de revolta, atrasando ainda mais o processo evolutivo.
O sofrimento não pode, de maneira alguma, estar previsto na
lei natural, como punição inexorável àqueles que a violam. Sofrimento é uma
reação pessoal a fatos da vida, estes sim relacionados diretamente às ações de
cada espírito, encarnado ou não. Aqueles que conseguem ter uma atitude positiva
perante a vida, pouco sofrem; já os que veem no próprio fato de viver um fardo
insuportável (oh! vida, oh! azar...) sofrerão sempre, por menores que sejam as
vicissitudes por que passam.
Reencarnação é prova, tal como provas há em qualquer escola
aqui na Terra. É uma oportunidade fantástica de aprendizado, possibilitando a
cada espírito demonstrar, para si mesmo, que pode continuar sua escala
evolutiva em outros níveis.
O espiritismo é, por si só, uma filosofia altamente
consoladora. Não deve incorporar o sofrimento existente em outras doutrinas,
muletas que, a pretexto de ajudar, obstruem o caminho evolutivo do ser. A
evolução deve ser feliz e prazerosa, mesmo quando difícil. E isto, quem faz
somos nós mesmos


