20 abril 2026

A Atualização Doutrinária não é Modismo - Ademar Arthur Chioro dos Reis

 

A Atualização Doutrinária não é Modismo

Ademar Arthur Chioro dos Reis é médico sanitarista, professor universitário, atual Presidente da Empresa Brsileira de Serviços Hospitalares ( EBSEFRH) foi presidente do Centro Espírita Allan Kardec, de Santos, membro do Centro de Pesquisa e Documentação Espírita- CPDOC e Delegado da Confederação Espírita Pan-Americana (CEPA) e CEPABrasil.

                                       Julho de 2000 - Spiritnet

É mesmo muito difícil entender a ferocidade e intransigência que tem pautado a discussão entre os espíritas. A observação atenta, desprovida de preconceitos e desapaixonada, entretanto, permite identificar de onde parte esta postura tão sectária e sua motivação.

Há raizes históricas, disputas antigas, que neste momento voltam a se agudizar em torno de questões secundárias (que não levam a absolutamente lugar nenhum, como por exemplo se o Espiritismo é ou não uma religião) e outras absolutamente necessárias, centrais para a sobrevivência, evolução e o próprio futuro da Doutrina Espírita: a necessidade de empreendermos a atualização do Espiritismo.

A seguir, destaco alguns pressupostos que considero de fundamental importância para a formulação de uma proposta metodológica de atualização do Espiritismo, como forma de contribuir ao debate que vem se desenvolvendo na lista:

O Espiritismo é a ciência que trata das relações do mundo espiritual e material, portadora de uma concepção filosófica humanista, que resulta em conseqüências éticas e morais (comuns às preocupações religiosas sinceras e desprovidas de ritualismos e sectarismos)

A atualização não pode ser um modismo mas deve constituir-se num processo permanente, incorporado definitivamente à práxis espírita;

Deve admitir a heterogeneidade, o direito de ser e pensar diferente, de estabelecer novos referenciais a partir dos fundamentos espíritas básicos;

É necessário reconhecer que a Filosofia Espírita, fundamentada na obra de Kardec, permite o desenvolvimento de distintas leituras, a partir do conjunto de interesses e necessidades humanas (e que isso também é democrático);

Não é necessário decidir por maioria quantitativa, mas pela capacidade/qualidade do conjunto de idéias impor-se pela sua própria força, clareza e atualidade, como novas verdades;

É fundamental buscar de forma prioritária a atualização em torno de pontos convergentes. O que é consensual em primeiro lugar, o que pode vir a ser consensual (mesmo que parcialmente) em segundo plano e por último, aquilo que de fato estabelece as distintas concepções e nos divide (mesmo que partamos ou não dos mesmos referenciais);

Só se atualiza o que não se nega, o que ainda tem valor essencial (caso contrário estaríamos substituindo o Espiritismo por algo diferente. Somente se atualiza sobre bases estabelecidas (mesmo que em parte ultrapassadas ou defasadas). Por outro lado, reconheçamos, há novos conhecimentos a serem formulados;

Que a busca da atualização deve ser estabelecida a partir das mesmas bases sérias e coerentes que pautaram a obra de Kardec, guiada pela racionalidade e pela ciência, sem afetações, partidarismo, sectarismo e misticismo.

Allan Kardec identificou desde o primeiro instante a necessidade de atualizar o Espiritismo, o que pode ser claramente percebido em trechos de sua obra, em particular no Capítulo Primeiro de A Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo, intitulado Caracteres da Revelação Espírita, publicado em 1868 e que já havia sido publicado por Kardec, numa primeira versão, na Revista Espírita em 1867.

“O Espiritismo, avançando com o progresso, jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrarem que está em erro acerca de um ponto, ele se modificará nesse ponto; se uma verdade nova se revelar, ela a aceitará.” (A Gênese, cap. I - Caracteres da Revelação Espírita).

“O terceiro ponto, enfim, é inerente ao caráter essencialmente progressivo da Doutrina. Pelo fato de ela não se embalar com sonhos irrealizáveis, não se segue que se imobilize no presente. Apoiada tão-só nas leis da Natureza, não pode variar mais do que estas leis; mas, se uma nova lei for descoberta, tem ela que se pôr de acordo com essa lei. Não lhe cabe fechar a porta a nenhum progresso, sob pena de se suicidar. Assimilando todas as idéias reconhecidamente justas, de qualquer ordem que sejam, físicas ou metafísicas, ela jamais será ultrapassada, constituindo isso uma das principais garantias da sua perpetuidade.” (Obras Póstumas - Constituição do Espiritismo - Dos Cismas).

“Não será, pois, invariável o programa da Doutrina, senão como referência aos princípios que hoje tenham passado à condição de verdades comprovadas. Com relação aos outros, nãos os admitirá, como há feito sempre, senão a título de hipóteses, até que sejam confirmados. Se lhe demonstrarem que está em erro acerca de um ponto, ela se modificará nesse ponto.” (obra citada).

“O princípio progressivo, que ela inscreve no seu código, será a salvaguarda da sua perenidade e a sua unidade se manterá, exatamente porque ela não assenta no princípio da imobilidade.” (obra citada).

“Serão estas as atribuições principais da comissão central: 1°...; 2° O estudo dos novos princípios, suscetíveis de entrar no corpo da Doutrina; 3° ... 15O A convocação dos congressos e assembléias gerais.” (Obras Póstumas - Constituição do Espiritismo - Comissão Central).

Que há setores significativos do movimento espírita que consideram desnecessário e lesivo qualquer processo de atualização do Espiritismo, uma vez que concebem sua origem e natureza como “divina”, portanto passível de modificação apenas por ordem e graça da “espiritualidade”.

Que mesmo companheiros espíritas que discutem a necessidade de atualizar o Espiritismo, em função de distorções em suas concepções e formação doutrinária, tendem a assumir uma postura arrogante e conservadora do ponto de vista intelectual. Vejamos, por exemplo, um pequeno trecho de um “mail” que identifica claramente esta concepção:

“Apesar disso ainda temos uma sólida e imbatível Doutrina. É plataforma segura para se alcançar novos vôos com a ciência responsável e metodológica, pois esta é a “sina” do Espiritismo: ir onde a ciência está, já sabendo que a ciência vai onde o Espiritismo já foi...” (o grifo é meu)

Que é indiscutível a atualidade de partes importantes e fundamentais da obra de Kardec, não superadas pela Ciência, encontrando-se estas, portanto, em plena vigência.

Que atualizar o Espiritismo é procurar “torná-lo atual, situá-lo na época em que vivemos, torná-lo presente e atuante em todos os setores do pensamento humano. Isso implica numa releitura, numa ressignificação, portanto, numa revisão dos conteúdos, não só da obra de Allan Kardec, como da dos demais autores Espíritas, encarnados e desencarnados, como também da linguagem e do método empregados na sua elaboração. Não se pode atualizar sem revisar.”

Não se deve permitir a alteração ou supressão, parcial ou completa, dos textos e das obras de qualquer autor que seja – e em especial a de Allan Kardec. “Já as idéias, concepções e teorias expostas nas obras da Codificação e nas que lhe são complementares, como o próprio fundador do Espiritismo afirmava, não sendo mais do que a expressão do conhecimento dos seus autores, subordinadas ao contexto de uma época, são passíveis de revisão e de atualização.”

Proponho, a partir destas colocações preliminares, conclamar a todos os Espíritas sinceros para que dirijamos nossos esforços, mentes e corações, de forma respeitosa e inteligente, para o debate de temas e questões centrais.

 

05 abril 2026

O PRINCÍPIO DAS COISAS: NINGUÉM COMEÇA GRANDE - WILSON GARCIA

 

O PRINCÍPIO DAS COISAS: NINGUÉM COMEÇA GRANDE (crônica filosófica-espírita)Wilson Garcia :- Professor universitário, jornalista, escritor, mestre em Comunicação e Mercado, especialista em Comunicação Jornalística.

O primeiro avião, inventado por Santos Dumont, não era um Boeing. Era um leve artefato de sonhos e coragem, um pássaro de tecido e engenho que desafiava o impossível. Ninguém começa grande — e a natureza ensina essa lição com a simplicidade de uma semente.

Toda árvore que hoje oferece sombra foi antes um ponto quase invisível no solo. A semente contém em si a potência do universo, mas só desabrocha porque aceita a humildade do tempo. Crescer é, antes de tudo, aceitar a lentidão dos processos. O orgulho, ao contrário, apressa, inflama, e faz o homem acreditar que pode colher sem plantar.

O filósofo Aristóteles, ao tratar da virtude, lembrava que a grandeza autêntica nasce do equilíbrio entre o excesso e a falta. A humildade não é submissão, mas sabedoria em reconhecer que o ser humano é parte de algo maior. Também Rousseau, em Emílio, dizia que “a natureza quer que as crianças sejam crianças antes de serem homens”. É a mesma pedagogia da semente: o aprendizado do tempo, o respeito à formação.

Santos Dumont compreendeu essa verdade intuitivamente. Enquanto outros sonhavam com máquinas de guerra, ele sonhava com o voo como extensão da liberdade humana. Seu 14-Bis não era grande, mas era livre. E a liberdade verdadeira não se mede em tamanho, mas em espírito.

Na filosofia espírita, Allan Kardec ensina que o progresso é lei natural — mas um progresso que não se impõe por soberba, e sim que se realiza pela educação do espírito. A evolução, dizia ele em O Livro dos Espíritos, “é obra da própria criatura”, e cada conquista é precedida pela humildade de aprender.

O orgulho é, portanto, uma forma de cegueira: faz o indivíduo confundir o resultado com o princípio, o avião com a semente, o poder com a verdade. Somente o espírito que reconhece a pequenez do seu início é capaz de compreender a grandeza de sua jornada.

Assim como a semente guarda a árvore e o 14-Bis guardava o Boeing, toda realização humana começa no invisível — na fé, na paciência e no trabalho silencioso. O orgulho, ao querer nascer adulto, perde o direito de crescer.

20 março 2026

O maior dos elementares direitos: O Direito à Vida, por Débora Nogueira

 

O maior dos elementares direitos: 

O Direito à Vida, por Débora Nogueira

março 7, 2026 Administrador site ECK

Debora Nogueira, Atriz formada pela escola de Arte DramáticaDebora Nogueira, Atriz formada pela escola de Arte Dramática da USP, graduada em Publicidade e Propaganda, dramaturga, produtora Produtora, Oficineira, Dubladora, diretora e preparadora de atores, participação na série ensaio sobre a beleza do Grupo Caos, Diversos trabalhos para publicidade, cinema, TV, diretora do grupo de teatro Irmão X, Membro da Conselho de Gestão do ECK (Espiritismo Com Kardec).

Neste “Dia Internacional da Mulher” cabe-nos refletir acerca da realidade que vivemos, num mundo masculino e que ainda reserva o papel secundário para as mulheres. O feminismo não é uma luta contra os homens! Mas, sim, por efetiva igualdade, a igualdade de gênero, a igualdade de direitos e, dentre eles, o maior: o direito à vida!

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Nascemos com a marca da vida: geramos, amamentamos, carregamos (a)(as) vida(s). Física e psiquicamente (espiritualmente), as mulheres carregam muita coisa durante a vida: filhos, sacolas, culpa, casa, silêncio, homens, não ter filhos, pudor, medo.

Aprendemos a nos comportar, a sentar de pernas fechadas, a não chamar a atenção… Aprendemos a sermos recatadas: — Precisa ter jeito de menina e comportamento de menina! — sempre disseram…

E, quando a puberdade chega, com os hormônios a todo vapor, o medo cresce junto: o corpo muda e não sabemos o que fazer com tanta coisa acontecendo. Vem a menstruação: — Ahhhh! Cuidado! Agora você pode engravidar! — era a advertência.

E o medo segue crescendo. Muitas mulheres começam a frequentar as comunidades religiosas porque ali se sentem seguras… Mas, aí, justamente aqueles que deveriam acolher a menina, são os que dela abusam.

Também em casa, aqueles em que se deveria confiar, sentindo-se amada e protegida, também são os que abusam. Ignora-se os pedidos de socorro, a orientação sexual, o carinho e o apoio.

A outrora menina recatada, agora usa maquiagem, roupas sensuais e vira a “tentação” masculina. Somos, então, sempre culpadas, pela roupa, pelo corpo, pelo comportamento.

A hoje mulher, então, se une a alguém e a partir disso deve usar de todos os artifícios para permanecer “atraente”, dentro dos padrões enlouquecidos de beleza da sociedade.

Mulher, portanto, tem que ser sensacional: possuir um corpo escultural, uma pele incrível e, ainda, lavar, passar cozinhar, faxinar… Tudo com “nota mil” e permanecer sexy, muito sexy.

Quem resolveu que seria assim?

Mulheres pensam, estudam, se formam, cuidam de filhos (em casos, também, em que o pai sumiu). Ou, outros, que pagam uma pensão mínima e aparecerem duas vezes ao mês para visitar a prole. E, mesmo assim, acham que fazem o suficiente…

Precisamos dizer: a Mulher tem liberdade de escolha (olha o livre arbítrio aí!, tão falado no meio espírita). Mas, veja só que interessante! Sim, é fato (espiritual) que escolhemos as nossas provas (vide “O livro dos Espíritos”, item 258 [1]). Mas, com serenidade e logicidade, vamos refletir: — Será que uma mulher escolheu ser vitimada por seu próprio companheiro? Que Justiça Divina é essa? — pensamos, nós…

Mas é isso o que, muitas vezes, ouvimos no “meio” espírita… E isto nos dá tristeza tão profunda… Como sempre, as mulheres são culpadas, será que uma atitude dessas não implica quem feriu, matou, arrastou, bateu, estuprou, esfaqueou… Pois, a vergonha, a culpa, ficam com a vítima!

Muitas vezes, vemos muitas espíritas (ou que se dizem espíritas) usarem este argumento da escolha da prova. E, em consequência, é necessário se resignar, aguentar, pensar nos filhos, no que os outros vão dizer e muito mais…

Mas você pode pensar: — Ahhh mas isso é antigo, não é mais assim! E eu me pergunto porque ainda tantas mulheres são vitimadas hoje, agora, a cada minuto… Em 2025, de janeiro a dezembro, 1.470 mulheres foram mortas no Brasil, conforme dados oficiais (Ministério da Justiça e Segurança Pública [2]. Em Botucatu, no Estado de São Paulo, o maior da federação brasileira, recentemente uma mulher, entre tantas, infelizmente, foi morta mesmo tendo antes registrado dez boletins de ocorrência e três medidas protetivas [3]. Uma falha grave do governo estadual e da própria justiça.

É preciso fazer cumprir o que se registra no papel! Em São Paulo, os pedidos de medida protetiva saltaram de 10.804 (2015) para 118.258 [4].  Não podemos adotar o discurso de que não adianta procurar os direitos cabíveis, mas lutar para que eles se cumpram.

Esta é, pois, uma luta diária. E de todos! Vale lembrar a advertência contida em “O livro dos Espíritos”, item 919, que, como meio prático mais eficaz de aperfeiçoamento e de resistência ao mal, foi apontado o conhecimento de si mesmo, como o bom e velho Sócrates já havia predito, inspirado na inscrição expressa no Templo de Apolo (Oráculo de Delfos). Entretanto, este “conhecimento de si mesmo” acabou virou apenas e quase sempre uma citação, longe de ser buscado e vivenciado. Triste constatação, em um mundo ainda profundamente masculino.

Aliás essa “fábula” da mulher vir da costela do homem, já restou cansativa, própria de quem conserva, como fora um enlatado enterrado, valores morais velhos e empoeirados. As mais das vezes, como nesses crimes hediondos de feminicídio, se culpa a mulher por ela ser mulher. Transfere-se a responsabilidade do algoz para a vítima, e o primeiro, muitas vezes, sai ileso. Uns após outros repetem o mesmo comportamento violento, apoiados por seus pares. Segue, a mulher sendo propriedade, objeto, meio de reprodução, de prazer e, por isso, declaram eles, que ela deva se colocar no seu lugar. É como aquele rapaz que, ao ser preso, declara ao sair algemado, da viatura policial, que fez o que fez por ter sido traído… Imagine se toda mulher traída resolvesse dar o troco?!

Vivemos um esquema social onde, ainda, a mulher é vista como algo secundário, um personagem coadjuvante. Digo ainda, porque isto já foi até pior. Todavia, é preciso reacender o debate consciente para superar o pensamento concretizado que atravessa os séculos, num misto de falso moralismo agregado às prescrições das religiões. Estas últimas, em seus discursos de púlpitos e tribunas costumam resgatar falas do Antigo Testamento, interpretadas quase sempre ao pé da letra. São as costumeiras desculpas e justificativas para a continuidade da violência contra a mulher.

Lutar, pois, lado a lado, mulheres e homens é o necessário caminho; juntos, buscando entender a fundo as questões, solucionar problemas sem subterfúgios e, sobretudo, sem distorcer os ensinamentos dos grandes Mestres da Humanidade (entre eles, Jesus, tão falado, cheio de seguidores, que não conseguem sequer copiá-lo). A luta pela igualdade é constante, entre tantas outras. Como cantou Rita Lee, “prá variar, estamos em guerra”, e quem morre nesta guerra são as mulheres e as meninas pois podem procriar, apagar o futuro de um povo, quando não mortas são violadas para serem esmagadas pela vergonha ou gerarem os filhos dos inimigos.  Muitos que se dizem cristãos, caridosos, misericordiosos apoiam a guerra. Mais fácil ter inimigo do que fazer um trabalho de mudança de atitude, mudança de pensamento, entendimento, e que essas mudanças abrem caminhos para uma vida melhor em sociedade, melhor para o bem comum.

Neste “Dia Internacional da Mulher” cabe-nos refletir acerca da realidade que vivemos, num mundo masculino e que ainda reserva o papel secundário para as mulheres: os salários são menores; mulher falta mais no trabalho por causa dos filhos; que são propriedade, quando o companheiro acha que pode nos controlar, nos diminuir e abusar física e psicologicamente.

O que vemos nos noticiários é realmente assustador e o que se propaga nas redes sociais é, no mínimo, de fazer embrulhar o estômago. São os propagadores do ódio às mulheres, que se alastra feito uma erva daninha nos canteiros e plantações, fazendo crescer, em tenra idade, nas crianças e nos adolescentes essa ideia, como uma cartilha de ódio.

Onde deixamos o nosso senso de humanidade? Onde ficou a tão falada caridade? Onde está o amor? Onde estão os ensinamentos de Jesus?

O feminismo não é uma luta contra os homens! Mas, sim, por efetiva igualdade, a igualdade de gênero, a igualdade de direitos e, dentre eles, o maior: o direito à vida!

Nota:

[1] Kardec pergunta se o Espírito, quando errante, antes de iniciar uma nova existência corpórea (encarnação), tem a previsão do que lhe irá suceder, na vida física. As Inteligências Invisíveis lhe respondem: “Ele mesmo escolhe o gênero de provas que deseja sofrer; nisto consiste o seu livre-arbítrio”.

[2] A reportagem é da Agência Senado. Vide referência, abaixo.

[3] Júlia Gabriela Bravin Trovão e seu companheiro Diego Felipe Corrêa da Silva foram assassinados pelo ex-companheiro, Diego Sansalone (Piassi e Silva, 2026).

[4] Os dados são do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) conforme matéria jornalística (Lara, 2026).

Fontes:

Agência Senado (2026). Recorde de feminicídios é tema de debate em comissão mista na quarta. “Senado Notícias”. 27. Fev. 2026. Disponível em: <LINK>. Acesso em 6. Mar. 2026.

Kardec, A. (2004). “O livro dos Espíritos”. Trad. J. Herculano Pires. 64. Ed. São Paulo: LAKE.

Lara, W. (2026). Maioria das vítimas de feminicídio desta semana em SP tinha medidas protetivas; pedidos cresceram quase 1.000%. “G1”. São Paulo. 26. Fev. 2026. Disponível em: <LINK>. Acesso em 6. Mar. 2026.

Piassi, P.; Silva, L. R. (2026). Vítima de feminicídio registrou 10 boletins de ocorrência e teve dois pedidos de medida protetiva negados antes de ser assassinada pelo ex. “G1”. Bauru e Marília. 26. Fev. 2026. Disponível em: <LINK>. Acesso em 6. Mar. 2026

05 março 2026

O mundo entrou na era da falência hídrica global - CARLOS ORLANDO VILLARRAGA BENAVIDES

 

CARLOS ORLANDO VILLARRAGA BENAVIDES - Natural de Bogotá, Colômbia,  é formado em Engenharia Química pela Universidade Nacional da Colômbia. Estudioso da Doutrina Espírita desde a infância, morou nos Estados Unidos por sete anos, período dedicado à divulgação do Espiritismo por meio de palestras. Atualmente, reside em São José dos Campos (SP), onde desenvolve, como membro do Centro Espírita Divino Mestre e da Sociedade de Promoção Humana Alex Ivan, trabalhos sociais junto às comunidades carentes da cidade. É autor das obras: Planeta Vida – Contribuição da Doutrina Espírita à conservação do meio ambiente físico e espiritual do Planeta Terra; A Justiça social – Visão Espírita para a ação social e, publicada FEB Editora, Espiritismo e Desenvolvimento Sustentável: caminhos para a sustentabilidade. (Fonte: Autobiografia.)

O abastecimento de água no mundo entrou em uma era de falência, após décadas de uso intensivo e excessivo, poluição, degradação do solo, desmatamento e agravamento pelas temperaturas climáticas. Esse é o cenário preocupante apresentado no relatório Falência hídrica global: vivendo além dos nossos recursos hidrológicos na era pós-crise , lançado em 20 de janeiro de 2026, pelo Instituto para Água, Meio Ambiente e Saúde da Universidade das Nações Unidas (UNU-INWEH, 2026).

20 fevereiro 2026

A Concepção Espírita de Fatalidade - Silvio e Silvia Seno Chibeni

1. Introdução

No capítulo “Da lei de liberdade” de O Livro dos Espíritos Allan Kardec analisou com lucidez diversas questões relativas à fatalidade, dedicando-lhes uma seção inteira. Neste artigo pretendemos expor brevemente a concepção espírita de fatalidade, estabelecida naquela seção e em obras complementares.

Ao iniciar qualquer estudo, é sempre conveniente ter clareza quanto ao significado preciso dos termos envolvidos. Consultando o dicionário, verificamos que fatalidade é a marca do que é fatal, a força que predispõe irrevogavelmente os acontecimentos, o destino. Fatal é aquilo que é certo, prescrito pelo destino, irrevogável, que necessariamente acontecerá, inevitável, decisivo, inadiável, funesto, nefasto.

05 fevereiro 2026

CONSCIÊNCIA & INCONSCIÊNCIA, por Wilson Garcia

 


Wilson Garcia – professor universitário, jornalista, escritor, mestre em Comunicação e Mercado, presidente do Centro de Pesquisa e Documentação Espírita (CPDoc 2020/2024), Ouvidor da Fundação Porta Aberta (FPA), membro do Conselho da Fundação Maria Virgínia e José Herculano Pires

Antonio Damasio: a consciência como produto do

corpo — ciência, limites e diálogo com o Espiritismo

Na entrevista concedida ao El País por ocasião do lançamento de Inteligência Natural e a Lógica da Consciência, o neurocientista português Antonio Damasio reafirma e aprofunda sua tese central: a consciência não nasce de uma mente abstrata separada do corpo, mas de um processo biológico integrado em que cérebro, sistema nervoso e corpo inteiro atuam como um circuito contínuo.

Ao longo de três décadas, desde O Erro de Descartes (1994), Damasio vem atacando o dualismo cartesiano — a separação entre mente e corpo — propondo um monismo biológico: a mente é atividade do organismo vivo; a consciência emerge da autorregulação corporal e das sensações internas (homeostáticas).

Seu novo passo teórico reposiciona a origem da consciência, deslocando o foco do córtex cerebral para estruturas mais primitivas do sistema nervoso, em especial o tronco encefálico, onde se processam os sinais de interocepção — percepções internas do estado do corpo — que dão origem aos sentimentos básicos: dor, prazer, fome, sede, conforto, mal-estar.

20 janeiro 2026

POR QUE SOMOS SIMPLESMENTE HUMANOS! - Jacira Jacinto da Silva


POR QUE SOMOS SIMPLESMENTE HUMANOS! 

 Jacira Jacinto da Silva – advogada empresarial, especialista em segurança de dados, aposentada como juíza de direito; membro da CEPA, da CEPABrasil, do CPDoc e da Fundação Porta Aberta, da qual é também instituidora e diretora. Autora do livro Criminalidade, educar ou punir e coautora do livro Espiritismo, ética e moral, ambos pela editora CPDoc.Autora “Por que são mais numerosas, na sociedade, as classes sofredoras do que as felizes?

– Nenhuma é perfeitamente feliz e o que julgais ser a felicidade muitas vezes oculta pungentes aflições. 

O sofrimento está por toda parte. Entretanto, para responder ao teu pensamento, direi que as classes a que chamas sofredoras são mais numerosas, por ser a Terra lugar de expiação. Quando a houver transformado em morada do bem e de Espíritos bons, o homem deixará de ser infeliz aí e ela lhe será o paraíso terrestre”                                                                          (O Livro dos Espíritos, q. 931).

Uma rápida pesquisa sobre a biografia das maiores celebridades da história, de qualquer área: ciência, arte, esporte, religião, política, ou outra, revelará que o(a) investigado(a) não pode ser considerado unanimidade, não estava “acima do bem e do mal”, tinha, ou tem, seus defeitos, e não raro apresentava, ou apresenta, alguma característica um tanto estranha aos padrões usuais.

05 janeiro 2026

Movimento Espírita em Transformação-Saulo de Meira Albach

 



MOVIMENTO ESPÍRITA EM TRANSFORMAÇÃO

Saulo de Meira Albach

Delegado da CEPA em Curitiba (PR);

Presidente do CPDoc (Centro de Pesquisa e Documentação Espírita);

Membro do Cultura Espírita Livre-Pensar (Curitiba – PR).


                  OS COLETIVOS ESPÍRITAS 

A polarização política que se acentuou no Brasil mais notadamente a partir de 2017 produziu efeitos também no movimento espírita. Inúmeros grupos foram criados com ênfase no aspecto social do espiritismo e com a preocupação de trazer ao debate os temas sociais contemporâneos sem a restrição que normalmente é imposta nos setores hegemônicos. 

20 dezembro 2025

Da Palavra à Telepatia: a Evolução da Comunicação e o Futuro da Consciência Coletiva - Wilson Garcia

Da Palavra à Telepatia: a Evolução da Comunicação e o  Futuro da Consciência Coletiva 

Wilson Garcia – professor universitário, jornalista, escritor, mestre em Comunicação e Mercado, presidente do Centro de Pesquisas e Documentação Espírita (CPDoc 2020/2024), Ouvidor da Fundação Porta Aberta (FPA), membro do Conselho da Fundação Maria Virgínia e José Herculano Pires.


Com a inteligência artificial (IA) generativa, a linguagem parece ter adquirido autonomia algorítmica. Essa transformação inquieta e suscita a questão: onde se situa a inspiração — especialmente em sua dimensão espiritual — quando a escrita já não emerge apenas da pena humana, mas da interação com uma máquina capaz de produzir textos?

No âmbito do Espiritismo, essa indagação assume contornos profundos e uais. A doutrina afirma que “os Espíritos influem em nossos pensamentos e em nossos atos, mais do que imaginamos” (KARDEC, 1857, q. 459), estabelecendo que toda inteligência encarnada é participante de um campo mental mais amplo, no qual entidades espirituais, afins ou discordantes, podem atuar pela via da inspiração. Surge, assim, uma questão decisiva: a influência dos Espíritos permanece operante quando o escritor utiliza a inteligência artificial como mediadora de sua produção intelectual? Ou estaria o campo da criação humana agora invadido por um artefato sem alma, que substitui a mediação espiritual por uma combinação estatística de dados?

05 dezembro 2025

ESPIRITISMO, LAICIDADE, LIVRE PENSAR E AS RELAÇÕES COM A ATUALIDADE - Milton Rubens Medran Moreira

 

             ESPIRITISMO, LAICIDADE, LIVRE PENSAR E AS RELAÇÕES COM A ATUALIDADE

          


Milton Rubens Medran Moreira, Procurador de Justiça aposentado, Advogado e Jornalista, foi diretor de Comunicação da Federação Espírita do Rio Grande do Sul onde dirigiu a revista “A Reencarnação”, é membro do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre do qual foi Presidente, Diretor de Comunicação Social e Fundador/Diretor, por 30 anos, do Jornal CCEPA OPINIÃO. Autor de vários livros espíritas. Ex-presidente da CEPA (2000/2008).

 

A religião e o laicismo

No dia 23 de setembro de 2012, quando ainda ocupava o trono da Santa Sé o pontífice recentemente desencarnado Bento XVI, publiquei no mais importante jornal de Porto Alegre, Zero Hora, o artigo “O Papa e o Laicismo”.

Comecei o texto reconhecendo: “Andou muito bem o Papa Bento XVI, em sua recente visita ao Oriente Médio, pedindo se respeite, ali, a liberdade religiosa e defendendo o laicismo por ele adjetivado como saudável”.

20 novembro 2025

Paranoia Obsidente - Salomão Jacob Benchaya

 

Paranoia Obsidente

 Salomão Jacob Benchaya - bacharel em Economia, ex- Presidente do Centro Cultural Espirita  de Porto Alegre- (CCEPA ), da Federação Espirita do Rio Grande do Sul, Diretor da CEPA Associação Espírita Internacional, um dos criadores do ESDES, colaborador do Jornal CCEPA- OPinião, um dos criadores do MEP - Movimento Espírita Progressista e Presidente eleito da CEPABrasil para o Biênio 2026/27.

Allan Kardec define obsessão como o “domínio que alguns espíritos logram obter sobre certas pessoas. Nunca é praticada senão pelos espíritos inferiores, que procuram dominar” (LM, Cap. XXIII, 237).

No movimento espírita, há um comportamento que merece ser analisado, com respeito a esse tema. Em não poucos Centros Espíritas, tornou-se comum recepcionar os frequentadores através de entrevistas, ou “diálogo fraterno”, em que são escutadas as queixas ou motivações para a procura do espiritismo. Como um grande número de pessoas busca socorro para suas aflições e que chegam angustiadas na Casa Espírita, estas recebem a prescrição de frequentar as sessões de “tratamento espiritual” ou de desobsessão, destinadas a proporcionar alívio e reequilíbrio psíquico-emocional ao indivíduo. Há um pressuposto de que as pessoas chegam “carregadas” e necessitam de uma “limpeza espiritual”. Isso me faz recordar de procedimento semelhante que ocorria em sessões de Umbanda que frequentei na minha juventude, em que os guias costumavam informar aos consulentes que precisavam “desmanchar um trabalho feito”. Em ambas as situações, é como se se dissesse à pessoa: - Você necessita de nós! Veja em que condições você está chegando! Já de início, uma relação de dependência e de submissão se estabelece. Em alguns centros, essa iniciação consiste em frequentar tantas sessões de desobsessão e tomar tantos passes.

05 novembro 2025

Perder o rumo - Cláudia Régis Machado

 

             Perder o rumo

                      Cláudia Régis Machado, psicóloga, psicopedagoga,          

 integrante do ICKS - Instituto    Cultural Kardecista de Santos

 

“A sinalização muda, o vento sopra em sentido contrário, o norte de repente vira sul, o leste vira oeste. É fácil sair do prumo, perder o rumo.”

Prumo ou rumo? Aqui não faz diferença. As duas expressões são válidas aqui, pois quando esta situação ocorre, sentimo-nos à deriva, frágeis e vulneráveis, ficamos perdidos. A vida nos surpreender muitas vezes nos empurrando para fora do prumo; fazendo-nos perder o rumo.

 Quem nunca perdeu o rumo? Muitas situações podem nos levar a este estado. Perdas de entes queridos, mudança de rotina, aposentadoria, o “ninho vazio”, doenças etc., são momentos ou melhor eventos que nos tiram o chão estabelecido, balançam a nossa estabilidade costumeira. Na maioria das vezes não sabemos lidar com as surpresas da vida, porém perder o rumo faz parte da dinâmica da vida, porque ninguém está livre destes acontecimentos.

20 outubro 2025

Polarização política - Milton R. Medran Moreira

 

Polarização política Opinião em Tópicos – Jornal CCEPA-Opinião de 15/11/2024
Milton R. Medran Moreira - Editor Chefe

Não sei onde vai parar essa polarização político-ideológica que tomou conta do Brasil.

Sei, sim, que, no campo das ideias políticas e sociais, há duas forças que, para todo sempre, hão de se digladiar.

Elas são tese e antítese que alimentam o fluir do processo político. Estão presentes na política porque, igualmente, movem o processo individual de crescimento do espírito humano.

Uma busca preservar os valores conquistados. A outra estimula mudanças mediante a superação do que ontem era um valor e hoje pode ser descartado porque incompatível com os novos tempos.

05 outubro 2025

MUJICA E O PROBLEMA DA VIOLÊNCIA UMA ANÁLISE ESPÍRITA, NÃO MORALISTA.- Ricardo de Morais Nunes

 


Ricardo de Morais Nunes, Servidor Público, Bel em Direito, Lic. em Filosofia, Presidente da CEPABrasil          

             

Em 13 de maio de 2025 faleceu José Alberto Mujica Cordano, mais conhecido     como Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai. Pensamos que para nós, espíritas, compreendermos um personagem com a história de Pepe Mujica, é necessário amplitude de pensamento, requer sairmos do senso comum, dos jargões simplistas e condenatórios, tão próprios da extrema direita de nosso tempo, a qual normalmente julga pela superfície das coisas, de forma moralista, sem ir à profundidade dos problemas, sem ir ao campo das intenções e, também, das estruturas sociais.

27 setembro 2025

Live de lançamento do Movimento Espírita Progressista (MEP) - dia 03/10/25, às 20h

 

no dia 03/10 às 20 h , venha participar da live de lançamento do Movimento Espírita Progressista (MEP)
Mais humano, mais conectado com as causas sociais e com o espírito do tempo.
Inscreva-se no canal, junte-se a esta construção coletiva!

https://www.youtube.com/@mepbrasilnet



20 setembro 2025

Do Progresso - Flávio C. Bello

 

 Flávio C. Bello - Formado em História na UFRGS, professor aposentado do ensino básico, espírita vinculado ao CCEPA e a casa espírita "A Nossa Casa" em Porto Alegre. Estudante da temática espírita com ênfase nas Leis Morais. 

 

“É precipitado e quase absurdo acreditar que o progresso deva

necessariamente ocorrer.” (Nietzsche)

Contextualizando e identificando pressupostos

 

Kardec estava inserido na mentalidade da “modernidade triunfante” do século XIX que via a rápida industrialização, urbanização e modernização tecnológica, apenas como evidências inequívocas de progresso da humanidade. Nesse contexto, nosso fundador pensava o progresso imerso na mentalidade positivista presente no espirit du temps do século XIX.

 

A certeza do progresso inexorável, automático, é característica do positivismo e da maioria dos pensadores iluministas, que transformaram a ideia de progresso em um dogma.

No anticlerical Iluminismo francês, a concepção de Providência assumiu um sentido mais deísta. Para os iluministas, não se necessita mais da intervenção direta e constante de um Deus transcendente, pois a ideia de progresso como uma lei natural imanente, que através da razão, conduziria a humanidade rumo à perfeição, seria uma “versão secularizada” da crença cristã na divina providência.