09 fevereiro 2026
05 fevereiro 2026
CONSCIÊNCIA & INCONSCIÊNCIA, por Wilson Garcia
Wilson Garcia – professor universitário, jornalista, escritor, mestre em Comunicação e Mercado, presidente do Centro de Pesquisa e Documentação Espírita (CPDoc 2020/2024), Ouvidor da Fundação Porta Aberta (FPA), membro do Conselho da Fundação Maria Virgínia e José Herculano Pires.
Antonio Damasio: a consciência
como produto do
corpo — ciência, limites e
diálogo com o Espiritismo
Na entrevista concedida ao El País por ocasião do lançamento de Inteligência Natural e a
Lógica da Consciência, o neurocientista português Antonio
Damasio reafirma e aprofunda sua tese central: a consciência não nasce de
uma mente abstrata separada do corpo, mas de um processo biológico
integrado em que cérebro, sistema nervoso e corpo inteiro atuam como um
circuito contínuo.
Ao longo de três décadas, desde O Erro de Descartes (1994),
Damasio vem atacando o dualismo cartesiano — a separação entre mente e corpo —
propondo um monismo biológico: a mente é atividade do organismo
vivo; a consciência emerge da autorregulação corporal e das sensações internas
(homeostáticas).
Seu novo passo teórico reposiciona a origem da consciência,
deslocando o foco do córtex cerebral para estruturas mais
primitivas do sistema nervoso, em especial o tronco encefálico,
onde se processam os sinais de interocepção — percepções internas do estado do
corpo — que dão origem aos sentimentos básicos: dor, prazer, fome,
sede, conforto, mal-estar.
Damasio propõe uma inversão do senso comum: “Não sentimos porque
somos conscientes; somos conscientes porque sentimos.”
Ou seja, os sentimentos precedem a consciência, constituindo
sua matéria-prima fundamental. A consciência seria um sistema de “sentinelas”
biológicas que monitoram continuamente o estado da vida corporal, permitindo ao
organismo reconhecer-se como uma unidade individual em ação no mundo.
Consciência: não como abstração, mas como biologia vivente
Segundo o neurocientista, não existe consciência sem sistema nervoso. Por isso:
·
Plantas e bactérias não são conscientes, ainda que
vivas e complexas;
·
Animais com sistemas nervosos são conscientes, embora em
graus distintos de elaboração;
·
A consciência humana decorre não apenas da
complexidade neuronal, mas também de nossa vida social, baseada em
empatia, detectação da vulnerabilidade alheia e relações simbólicas.
Essa concepção reforça o deslocamento contemporâneo
da neurociência: da ideia de uma consciência puramente cortical — centrada na
racionalidade abstrata — para uma consciência afetiva, orgânica e
encarnada.
Inteligência Artigficial: potência instrumental, não consciência humana
Um ponto forte da entrevista é a reflexão de Damasio sobre a possibilidade de consciência artificial. Ele abandona sua posição anterior — totalmente cética — para assumir uma visão mais cautelosa: poderia surgir algum tipo de consciência artificial, mas não comparável à humana.
O motivo do limite é fundamental: sistemas
artificiais não estão vivos, não possuem corpo vulnerável, nem inserção social
orgânica. Sentir implica carne, dor, prazer e risco existencial — experiências
inexistentes em máquinas.
Assim, embora a IA possa resolver problemas
complexos superiores aos humanos (ex.: AlphaFold), isso não implica subjetividade,
mas apenas potência computacional. Para Damasio, a inteligência
artificial nasce da inteligência natural: os próprios neurônios
mielinizados — responsáveis pelo processamento “digital” humano — inspiraram os
sistemas computacionais.
A consciência genuína permaneceria atrelada a organismos
biológicos vulneráveis, integrados numa teia emocional e social.
Tratamento de estados alterados de consciência
Os avanços de Damasio têm reflexos clínicos: ao reconhecer o papel central do tronco encefálico e da interocepção na consciência, abre-se uma nova via para compreender e tratar casos de:
·
Coma
- Estados
vegetativos
·
Distúrbios graves da percepção corporal
Em vez de focar exclusivamente no córtex — tradicional alvo da
neurologia cognitiva —, a pesquisa volta-se para sistemas mais primários,
responsáveis pela manutenção da sensação de existência.
A síntese atual da posição de Damasio
Podemos resumir sua tese contemporânea em quatro eixos fundamentais:
1. Consciência
nasce dos sentimentos corporais, não da abstração racional.
- O
cérebro consciente é um órgão de regulação vital, não
um epifenômeno metafísico.
- Sem
corpo vivo não há consciência, o que afasta uma eventual equivalência
homem-máquina.
- A vida social e a empatia ampliam a consciência humana, distinguindo-nos qualitativamente dos sistemas artificiais.
Quando colocadas em diálogo com o Espiritismo, as ideias de Damasio revelam tanto convergências parciais quanto tensões profundas.
Convergências
Centralidade do sentimento
O Espiritismo afirma que a consciência moral nasce da sensibilidade
espiritual. Kardec escreve: “O sentimento precede a razão.” (O Livro
dos Espíritos, q. 117). Isso converge com a ideia de Damasio de
que sentir é anterior ao pensar.
Caráter progressivo da consciência
Para o Espiritismo, a consciência evolui em graus; a
inteligência e a percepção moral ampliam-se lentamente através das experiências
encarnatórias. Em Damasio, vemos eco dessa visão gradualista ao
reconhecer:
o
Consciência em graus nos animais;
o
Desenvolvimento dependente da complexidade dos
sistemas biológicos e sociais.
Integração mente–corpo
Kardec rejeita o dualismo
simplista que opõe matéria e espírito como substâncias antagônicas. O Espírito
age por meio do corpo, através do perispírito, intermediário da
percepção. Damasio, ainda que materialista, também rejeita o dualismo
cartesiano, defendendo a unidade funcional entre mente e organismo.
Tensões e divergência fundamentais
Origem última da consciência
- Damasio: consciência
é produto exclusivo do sistema nervoso biológico.
- Espiritismo: consciência
é atributo essencial do Espírito, pré-existente ao corpo e
sobrevivente à morte física.
Para Kardec, “A consciência é a voz da alma.” (Obras Póstumas). No
espiritismo, o cérebro não produz a consciência, mas a
manifesta e a filtra na experiência encarnada.
Vida sem corpo
Damasio afirma que sem sistema nervoso não pode existir
consciência. Já o Espiritismo sustenta exatamente o contrário:
- A
consciência subsiste após a morte;
- Estados
de lucidez pós-morte são observáveis em comunicações mediúnicas e fortes
relatos de experiências de quase-morte (EQMs), amplamente
estudadas na atualidade por pesquisadores como Pim van Lommel, Bruce
Greyson e Sam Parnia.
Segundo a doutrina espírita, o Espírito conserva suas faculdades
intelectuais e morais após a separação do corpo.
IA e consciência
Aqui ocorre um curioso ponto de aproximação inesperada:
- Para
Damasio: IA não pode ter consciência humana plena.
- Para o
Espiritismo: só o Espírito, princípio inteligente do universo,
pode ser sujeito consciente.
A máquina não encarna Espírito; logo, pode simular respostas, mas não
viver experiência consciente real.
Síntese crítica
Damasio representa uma das mais sofisticadas tentativas
contemporâneas de explicar cientificamente a consciência sem recorrer ao
dualismo clássico, deslocando o foco da racionalidade pura para o sentir
orgânico. Contudo, sua explicação permanece restrita ao plano
neurobiológico, incapaz de responder às perguntas últimas:
- Por
que existe a experiência subjetiva?
- O que
faz do “sentir” uma vivência íntima, não redutível a reações químicas?
- Por
que existem relatos consistentes de consciência além do corpo físico?
Nesse ponto, a ciência de Damasio descreve o “como” do sentir
consciente, mas permanece silenciosa quanto ao “quem” da
consciência, dimensão na qual o Espiritismo propõe uma ampliação
ontológica: o Espírito como sujeito da experiência. Assim,
ciência e Espiritismo não se anulam — operam em campos diferentes:
- A
neurociência explica o mecanismo.
- O
Espiritismo interroga o sentido e a continuidade da consciência.
O diálogo entre ambos permanece aberto — como o próprio Damasio
reconhece ao admitir que não é mais possível falar da consciência com a
segurança conceitual de poucas décadas atrás. E talvez seja justamente aí
que ciência e espiritualidade se encontrem:
na consciência não como dogma fechado, mas como o maior mistério em
permanente aprofundamento humano.
Sua formulação está precisa e muito bem colocada — e
pode ser ainda mais clarificada conceitualmente com um pequeno
ajuste de linguagem para mostrar que a “dualidade” não é exatamente simétrica,
mas ontologicamente diferente em cada campo. Identificando
corretamente o ponto central:
- Para
Damasio e a neurociência contemporânea:
A consciência emerge do corpo. Ela só existe com o corpo e resulta da atividade integrada do sistema nervoso e das sensações corporais (interocepção, homeostase, emoção). Não precede o organismo biológico nem sobrevive fora dele. Trata-se de uma consciência emergente e dependente — produto e função do organismo. - Para o
Espiritismo:
A consciência não emerge do corpo, mas se manifesta através dele.
Ela: - precede
o corpo (o Espírito existe
antes da encarnação),
- coexiste
com o corpo durante a vida
física (mediada pelo cérebro e pelo perispírito),
- sobrevive
à morte do corpo (mantendo memória,
identidade e lucidez).
Ambas as visões reconhecem uma relação permanente entre
consciência e corpo durante a encarnação — este é o ponto de
convergência enfatizado corretamente. O que diverge não é a relação funcional,
mas a origem e a ontologia da consciência.
Onde está o verdadeiro contraste
A distinção essencial pode ser expressa assim:
Visão neurocientífica (Damasio)
O corpo gera a consciência.
Sem corpo → sem consciência.
Visão espírita
O Espírito usa o corpo para expressar a consciência.
Sem corpo → consciência continua existindo.
Ou seja:
- Na
ciência → o corpo é causa da
consciência.
- No
Espiritismo → o corpo é instrumento da
consciência.
Esse é o eixo da diferença profunda.
O ponto muitas vezes mal compreendido
É importante ressaltar algo: O Espiritismo não nega a dependência funcional entre consciência e corpo enquanto estamos encarnados. Kardec jamais ensinou que o Espírito se expressa independentemente do cérebro durante a vida física. Pelo contrário:
- O
cérebro é o órgão da manifestação do pensamento;
- Alterações
cerebrais afetam a expressão da consciência;
- Estados
patológicos limitam ou distorcem a percepção do Espírito encarnado.
Em O Livro dos Espíritos encontramos claramente: “É o
cérebro que preside às manifestações do pensamento.” (q. 146) Portanto:
- Ciência
e Espiritismo concordam que:
- Sem o
cérebro íntegro não há expressão normal da consciência na vida física.
- O
sofrimento corporal (como observa Damasio) interfere no sentir, no querer
e no perceber.
A divergência não está em como a consciência se expressa na
carne, mas em o que ela é em sua essência profunda.
Duas interpretações do mesmo fenômeno
Ambas as abordagens observam o mesmo fato: a consciência encarnada nasce, cresce e se desenvolve em correlação íntima com o corpo. A diferença surge quando tentam responder à pergunta metafísica: de onde vem essa consciência?
Uma nuance importante
Existe uma zona de diálogo: Damasio demonstra que a consciência humana concreta — tal como a experienciamos — depende da integração cérebro–corpo. O Espiritismo concordaria: a consciência encarnada depende do cérebro. O Espiritismo, porém, acrescenta: essa não é a consciência total do Espírito, mas apenas sua forma condicionada à encarnação.
Assim, o mesmo fenômeno recebe duas leituras complementares:
- Para o
cientista: “a consciência nasce do corpo.”
- Para o
espírita: “a consciência se individualiza e se manifesta plenamente no
corpo.”
Nesse ponto, a divergência deixa de ser apenas científica e passa a
ser ontológica:
- Materialismo
emergentista → o espírito não existe;
a consciência é efeito da matéria organizada.
- Espiritismo →
a consciência existe por si como princípio inteligente, usando
a matéria como meio de expressão.
- A
ciência moderna descreve com precisão crescente os mecanismos de
emergência da consciência corporal.
- O
Espiritismo propõe que esses mecanismos são o meio de expressão de
algo que não nasce na matéria.
Por isso, o diálogo real não é entre “ciência versus espiritualidade“,
mas entre:
- uma
ciência que descreve “como” a consciência funciona,
- e uma
filosofia espiritual que pergunta “quem” é o sujeito consciente e “de
onde” ele vem.
O que se aponta com rara clareza
é exatamente isso: a diferença não está no funcionamento; está na
origem e no destino da consciência. E aí se encontra o verdadeiro eixo
de reflexão contemporânea sobre o tema.
20 janeiro 2026
POR QUE SOMOS SIMPLESMENTE HUMANOS! - Jacira Jacinto da Silva
POR QUE SOMOS SIMPLESMENTE HUMANOS!
Jacira Jacinto da Silva – advogada empresarial, especialista em segurança de dados, aposentada como juíza de direito; membro da CEPA, da CEPABrasil, do CPDoc e da Fundação Porta Aberta, da qual é também instituidora e diretora. Autora do livro Criminalidade, educar ou punir e coautora do livro Espiritismo, ética e moral, ambos pela editora CPDoc.Autora “Por que são mais numerosas, na sociedade, as classes sofredoras do que as felizes?
– Nenhuma é perfeitamente feliz e o que julgais ser a felicidade muitas vezes oculta pungentes aflições.
O sofrimento está por toda parte. Entretanto, para responder ao teu pensamento, direi que as classes a que chamas sofredoras são mais numerosas, por ser a Terra lugar de expiação. Quando a houver transformado em morada do bem e de Espíritos bons, o homem deixará de ser infeliz aí e ela lhe será o paraíso terrestre” (O Livro dos Espíritos, q. 931).
Uma rápida pesquisa sobre a biografia das maiores celebridades da história, de qualquer área: ciência, arte, esporte, religião, política, ou outra, revelará que o(a) investigado(a) não pode ser considerado unanimidade, não estava “acima do bem e do mal”, tinha, ou tem, seus defeitos, e não raro apresentava, ou apresenta, alguma característica um tanto estranha aos padrões usuais.
05 janeiro 2026
Movimento Espírita em Transformação-Saulo de Meira Albach
MOVIMENTO ESPÍRITA EM TRANSFORMAÇÃO
Saulo de Meira Albach
Delegado da CEPA em Curitiba (PR);
Presidente do CPDoc (Centro de Pesquisa e Documentação Espírita);
Membro do Cultura Espírita Livre-Pensar (Curitiba – PR).
OS COLETIVOS ESPÍRITAS
A polarização política que se acentuou no Brasil mais notadamente a partir de 2017 produziu efeitos também no movimento espírita. Inúmeros grupos foram criados com ênfase no aspecto social do espiritismo e com a preocupação de trazer ao debate os temas sociais contemporâneos sem a restrição que normalmente é imposta nos setores hegemônicos.
24 dezembro 2025
20 dezembro 2025
Da Palavra à Telepatia: a Evolução da Comunicação e o Futuro da Consciência Coletiva - Wilson Garcia
Da Palavra à Telepatia: a Evolução da Comunicação e o Futuro da Consciência Coletiva
Com a inteligência artificial (IA) generativa, a linguagem parece ter adquirido autonomia algorítmica. Essa transformação inquieta e suscita a questão: onde se situa a inspiração — especialmente em sua dimensão espiritual — quando a escrita já não emerge apenas da pena humana, mas da interação com uma máquina capaz de produzir textos?
No âmbito do Espiritismo, essa indagação assume contornos profundos e uais. A doutrina afirma que “os Espíritos influem em nossos pensamentos e em nossos atos, mais do que imaginamos” (KARDEC, 1857, q. 459), estabelecendo que toda inteligência encarnada é participante de um campo mental mais amplo, no qual entidades espirituais, afins ou discordantes, podem atuar pela via da inspiração. Surge, assim, uma questão decisiva: a influência dos Espíritos permanece operante quando o escritor utiliza a inteligência artificial como mediadora de sua produção intelectual? Ou estaria o campo da criação humana agora invadido por um artefato sem alma, que substitui a mediação espiritual por uma combinação estatística de dados?
05 dezembro 2025
ESPIRITISMO, LAICIDADE, LIVRE PENSAR E AS RELAÇÕES COM A ATUALIDADE - Milton Rubens Medran Moreira
ESPIRITISMO,
LAICIDADE, LIVRE PENSAR E AS RELAÇÕES COM A ATUALIDADE
A religião e o
laicismo
No dia 23 de setembro de 2012, quando ainda ocupava o trono da Santa Sé o pontífice recentemente desencarnado Bento XVI, publiquei no mais importante jornal de Porto Alegre, Zero Hora, o artigo “O Papa e o Laicismo”.
Comecei o texto reconhecendo: “Andou muito bem o Papa Bento XVI, em sua recente visita ao Oriente Médio, pedindo se respeite, ali, a liberdade religiosa e defendendo o laicismo por ele adjetivado como saudável”.
20 novembro 2025
Paranoia Obsidente - Salomão Jacob Benchaya
Paranoia Obsidente
Salomão Jacob Benchaya - bacharel em Economia, ex- Presidente do Centro Cultural Espirita de Porto Alegre- (CCEPA ), da Federação Espirita do Rio Grande do Sul, Diretor da CEPA Associação Espírita Internacional, um dos criadores do ESDES, colaborador do Jornal CCEPA- OPinião, um dos criadores do MEP - Movimento Espírita Progressista e Presidente eleito da CEPABrasil para o Biênio 2026/27.
Allan Kardec define obsessão como
o “domínio que alguns espíritos logram obter sobre certas pessoas. Nunca é
praticada senão pelos espíritos inferiores, que procuram dominar” (LM, Cap.
XXIII, 237).
No movimento espírita, há um comportamento que merece ser analisado, com respeito a esse tema. Em não poucos Centros Espíritas, tornou-se comum recepcionar os frequentadores através de entrevistas, ou “diálogo fraterno”, em que são escutadas as queixas ou motivações para a procura do espiritismo. Como um grande número de pessoas busca socorro para suas aflições e que chegam angustiadas na Casa Espírita, estas recebem a prescrição de frequentar as sessões de “tratamento espiritual” ou de desobsessão, destinadas a proporcionar alívio e reequilíbrio psíquico-emocional ao indivíduo. Há um pressuposto de que as pessoas chegam “carregadas” e necessitam de uma “limpeza espiritual”. Isso me faz recordar de procedimento semelhante que ocorria em sessões de Umbanda que frequentei na minha juventude, em que os guias costumavam informar aos consulentes que precisavam “desmanchar um trabalho feito”. Em ambas as situações, é como se se dissesse à pessoa: - Você necessita de nós! Veja em que condições você está chegando! Já de início, uma relação de dependência e de submissão se estabelece. Em alguns centros, essa iniciação consiste em frequentar tantas sessões de desobsessão e tomar tantos passes.
05 novembro 2025
Perder o rumo - Cláudia Régis Machado
Cláudia
Régis Machado, psicóloga, psicopedagoga,
integrante do ICKS - Instituto Cultural
Kardecista de Santos
“A sinalização muda, o vento
sopra em sentido contrário, o norte de repente vira sul, o leste vira oeste. É
fácil sair do prumo, perder o rumo.”
Prumo ou rumo? Aqui não faz
diferença. As duas expressões são válidas aqui, pois quando esta situação
ocorre, sentimo-nos à deriva, frágeis e vulneráveis, ficamos perdidos. A vida
nos surpreender muitas vezes nos empurrando para fora do prumo; fazendo-nos
perder o rumo.
Quem nunca perdeu o rumo? Muitas situações podem nos levar a este estado. Perdas de entes queridos, mudança de rotina, aposentadoria, o “ninho vazio”, doenças etc., são momentos ou melhor eventos que nos tiram o chão estabelecido, balançam a nossa estabilidade costumeira. Na maioria das vezes não sabemos lidar com as surpresas da vida, porém perder o rumo faz parte da dinâmica da vida, porque ninguém está livre destes acontecimentos.
20 outubro 2025
Polarização política - Milton R. Medran Moreira
Milton R. Medran Moreira - Editor Chefe
Não sei onde vai parar essa
polarização político-ideológica que tomou conta do Brasil.
Sei, sim, que, no campo das
ideias políticas e sociais, há duas forças que, para todo sempre, hão de se
digladiar.
Elas são tese e antítese que
alimentam o fluir do processo político. Estão presentes na política porque,
igualmente, movem o processo individual de crescimento do espírito humano.
Uma busca preservar os valores conquistados. A outra estimula mudanças mediante a superação do que ontem era um valor e hoje pode ser descartado porque incompatível com os novos tempos.
05 outubro 2025
MUJICA E O PROBLEMA DA VIOLÊNCIA UMA ANÁLISE ESPÍRITA, NÃO MORALISTA.- Ricardo de Morais Nunes
Em 13 de maio de 2025 faleceu José Alberto Mujica Cordano, mais conhecido como Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai. Pensamos que para nós, espíritas, compreendermos um personagem com a história de Pepe Mujica, é necessário amplitude de pensamento, requer sairmos do senso comum, dos jargões simplistas e condenatórios, tão próprios da extrema direita de nosso tempo, a qual normalmente julga pela superfície das coisas, de forma moralista, sem ir à profundidade dos problemas, sem ir ao campo das intenções e, também, das estruturas sociais.
27 setembro 2025
Live de lançamento do Movimento Espírita Progressista (MEP) - dia 03/10/25, às 20h
https://www.youtube.com/@mepbrasilnet
20 setembro 2025
Do Progresso - Flávio C. Bello
Flávio C. Bello - Formado em História na UFRGS, professor aposentado do ensino básico,
espírita vinculado ao CCEPA e a casa espírita "A Nossa Casa" em Porto
Alegre. Estudante da temática espírita com ênfase nas Leis Morais.
“É precipitado e quase absurdo acreditar que o progresso deva
necessariamente ocorrer.” (Nietzsche)
Contextualizando e identificando pressupostos
Kardec estava inserido na mentalidade da “modernidade
triunfante” do século XIX que via a rápida industrialização, urbanização e modernização tecnológica, apenas como evidências inequívocas de progresso da humanidade. Nesse contexto, nosso fundador pensava
o progresso imerso na mentalidade positivista presente no espirit du temps do
século XIX.
A certeza do progresso inexorável, automático, é característica do positivismo e da maioria dos pensadores iluministas, que transformaram a ideia de progresso em um dogma.
No anticlerical Iluminismo francês, a concepção de Providência assumiu um sentido mais deísta. Para os iluministas, não se necessita mais da intervenção direta e constante de um Deus transcendente, pois a ideia de progresso como uma lei natural imanente, que através da razão, conduziria a humanidade rumo à perfeição, seria uma “versão secularizada” da crença cristã na divina providência.

