20 setembro 2026

Um texto sem nome - Ciro Pirondi


 CIRO PIRONDI, Arquiteto e Urbanista, reconhecido pela sua atuação crítica e humanista na Arquitetura, com foco na responsabilidade e sustentabilidade, é cofundador da \escola da cidade, instituição de ensino superior em São Paulo que adita uma abordagem inspirada nos princípios educacionais de Paulo Freire.

Quando compreendemos a complexidade – simples do Espiritismo, e a dimensão real da itinerância das existências, sentimos que o mundo nos basta. E o presente, a eternidade que nos satisfaz.

Não corremos atrás de um Deus, mesmo que ele exista. Não sofremos pela salvação, mesmo porque, ela não é necessária.

Como sopra o espírito dos evangelhos, não nos inquietamos com o dia seguinte, pois o amanhã se inquietará consigo mesmo. Basta a cada dia seu próprio penar.

No cotidiano percebemos a razão de André Sponville ser a generosidade uma força e vitória, porque ficamos mais leves, simples e gentis. Menos tolerantes com as injustiças, principalmente as coletivas e sociais, como a de Paraisópolis.

Libertando-nos dos anseios de eternidade e nos satisfazendo com o presente, nos tornamos mais humanos, mais fortes e doces. Talvez mais eternos.

Não se trata de dar lição a ninguém, mas ajudar a cada um a ser seu próprio mestre e seu único juiz.
Aceitar a distância entre o que sabemos e não sabemos, e termos a sabedoria de nossa ignorância é a condição básica para aprendizagem. Os que sabem já não necessitam aprender e os que dizem nada saber negam suas memórias, suas vidas.

Este breve texto sem nome, fala um pouco dessas minhas inquietudes. Animei-me a escrevê-lo quando li sobre os Cadernos de Cultura que Jaci e eu inventamos. Talvez pense em editar um outro, sem título ou tema, apenas convidando amigos a escreverem sobre suas reflexões.

Afinal aqui estamos neste belo mundo, em um país temporariamente na escuridão, onde nenhuma pessoa com bom senso pode se sentir confortável. Talvez só nos reste resistir, intuir algo novo, acreditarmos na beleza, na leveza e nos poetas, “antenas da raça”.

Nota: Artigo originalmente publicado no Jornal Abertura de Santos/ 20 de fevereiro de 2020
Acesse: CEPA Internacional



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