10 junho 2024

PARABÉNS JACIRA!

 


                                   PARABÉNS JACIRA!

 

No  mês de maio de 2024 encerrou-se o período de 8 anos na presidência da CEPA - Associação Espírita Internacional - da brasileira e querida amiga Jacira Jacinto da Silva.Não iremos pormenorizar nesse artigo todos os atos e objetivos  de seu mandato, o que não é o caso para um breve artigo da imprensa espírita.

Para quem deseja conhecer melhor o pensamento de Jacira no âmbito da administração da CEPA recomendamos o artigo "Objetivos estratégicos para o livre pensamento espírita e para a CEPA",  de autoria de Jacira Jacinto da Silva e Mauro de Mesquita Spinola, datado de 15 de janeiro de 2024, que pode ser encontrado no seguinte endereço eletrônico cepainternacional.org.

Faremos, nesse momento, apenas uma pequena análise de algumas poucas características pessoais de Jacira que foram levadas para a presidência da CEPA nesse longo período de dois mandatos.

Jacira, sobretudo, possui um grande apreço pela obra de Allan Kardec, é, como costumamos dizer, uma kardecista de mão cheia. Uma estudiosa  atenta e  incansável da filosofia espírita.

 Mas não é uma idólatra da obra do professor francês. Entende perfeitamente que as circunstâncias históricas em que a obra de Kardec foi elaborada e  os condicionamentos culturais de encarnados e desencarnados, inclusive do próprio Kardec, na edificação  da obra, devem ser levados em consideração se pretendemos um espiritismo para o século XXI.

 A partir dessa compreensão, Jacira, em seus anos de presidência, fez grandes esforços para a realização do que chamamos, já há alguns anos, de atualização do espiritismo, sem que esta atualização perdesse de vista as bases fundamentais colocadas por seu fundador.

Outra característica de Jacira é sua extrema sensibilidade social. Sua sensibilidade já era plenamente conhecida ao tempo em que era juíza de direito, época em que, ousadamente, para os padrões médios dos profissionais de sua área, realizou atividades de ressocialização de presos, como nos relata em seu livro Criminalidade: Educar ou Punir? editado pelo CPDoc - Centro de Pesquisa e Documentação Espírita, no qual conta sua interessante experiência.

  Por ocasião de sua presidência na CEPA, jamais escondeu seu desconforto com esse mundo de desigualdades e injustiças no qual vivemos. Buscou colocar a filosofia espírita no mundo contemporâneo, através de sua atuação no movimento espírita laico e livre pensador, sempre em sintonia com os problemas sociais de nosso tempo.

E, finalmente, Jacira buscou criar laços de amizade  com outros espíritas no mundo, através de suas viagens por vários países, buscando estabelecer pontes de diálogo, sob as bases do livre pensamento e da alteridade.

Seu companheiro de vida, Mauro Spínola, também membro do Conselho Executivo da CEPA, foi fundamental nessa trajetória de sucesso de Jacira, com seu apoio e trabalho incansáveis, merecendo, por isso, destaque especial.

 Merece destaque também todo o Conselho Executivo da CEPA que atuou durante os dois mandatos de Jacira. Os que lideram sabem que sem companheiros dedicados nada se faz nesse mundo. Jacira foi uma liderança que valorizou o coletivo, sem personalismos menores, e foi, por isso, profundamente democrática em suas administrações.

Como um dos coordenadores da coleção livre-pensar: espiritismo para o século XXI, editadas pela CEPA e CPDoc, que já vai para a sua segunda série de livros, é necessário lembrar e agradecer todo o apoio de Jacira a esta iniciativa. Do primeiro momento em que apresentamos o projeto ao Conselho Executivo da CEPA até os dias de hoje seu apoio foi permanente e pleno em entusiasmo.

Parabéns Jacira! Sua tarefa foi cumprida brilhantemente. Agora você merece alguns dias de descanso das muitas atividades nas quais está envolvida, inclusive, das numerosas e extenuantes atividades da Fundação Porta Aberta, instituição que se tornou um paradigma de eficiência e seriedade em seus objetivos de assistência social.

 Só nos resta dizer, como espíritas laicos e livres-pensadores brasileiros, que nos orgulhamos muito dessa grande mulher brasileira que ora deixa a presidência da CEPA.

Desejamos ao novo presidente da CEPA, José E. Arroyo, de Porto Rico, e sua diretoria, toda a sorte para a nova fase. Os desafios para uma instituição tão importante ao movimento espírita internacional são imensos, dada a complexidade de uma instituição que tem que lidar com espíritas de vários países, cada qual com seu movimento espírita, história e cultura peculiares.

Enfim, que a CEPA continue trilhando pelos caminhos de um espiritismo verdadeiramente kardecista, progressista, progressivo, laico, humanista e livre-pensador. Um espiritismo capaz de dialogar com as complexidades científicas, filosóficas, culturais, éticas e sociológicas deste século XXI.

 

          Ricardo de Morais Nunes

          Presidente da CEPABrasil

 

07 junho 2024

ADIAMENTO DO VI ENCONTRO

 



VI ENCONTRO DA CEPABRASIL É ADIADO EM DECORRENCIA DAS ENCHENTES

COMUNICADO

A Diretoria Administrativa da CEPABrasil, reunida em 03.06.2024, após análise da situação calamitosa pela qual atravessa o Estado do Rio Grande do Sul e, em especial, sua Capital – Porto Alegre -, cujo aeroporto deverá permanecer inoperante até o final do ano, dificultando o acesso de visitantes à cidade, decidiu adiar aquele evento para o próximo ano, em datas a serem divulgadas oportunamente.

Outrossim, esclarece que o pagamento da taxa de inscrição já efetuado permanecerá válido para as novas datas. Eventuais e compreensíveis desistências deverão ser comunicadas para efeito de ressarcimento dos respectivos valores.

Finalmente, roga desculpas aos participantes que, eventualmente, já tenham adquirido suas passagens aéreas pelos possíveis contratempos que poderão enfrentar junto às companhias aéreas.

Atenciosamente,

Ricardo de Morais Nunes – Presidente da CEPABrasil

Salomão Jacob Benchaya – Comissão Organizadora

05 junho 2024

DO DISCURSO À AÇÃO E O COMPORTAMENTO ESPÍRITA

Jailson Lima de Mendonça* - Santos/SP

Este texto teve como motivação alguns questionamentos e reflexões sobre nosso comportamento, em especial como espíritas, a responsabilidade do exemplo e também do distanciamento entre o discurso e a ação no contexto que vivemos.

Consideramos interessante a capacidade que temos de nos indignar momentaneamente quando recebemos uma notícia ou um post nas redes de informação em especial as sociais, as quais muitas vezes nos causam tristeza, revolta mesmo, enquanto em outros nos levam à reflexão sobre nossa própria vida, valores, potencialidades e limitações.

Em alguns casos, no sentido positivo, nos embebecemos de uma vontade que antes não estava presente, como se fora um impulso, um pensar o que não havíamos pensado, um querer assumir e acreditar que somos capazes de realizar. Em outros, no sentido negativo, nos sentimos fragilizados, às vezes impotentes, mas que nos incita pra fazer, mudar, realizar, mas que no geral se vai esvaindo e voltamos ao nosso estado de ser tentando nos conformar de que não podemos fazer mais do que já estamos fazendo. Será?!

Vivemos em um mundo onde, ainda, as pessoas são analisadas, julgadas e criticadas pela aparência, pelo visual, por suas posses e não estamos preocupados com o que os outros efetivamente tem a oferecer, qual a contribuição que tem pra dar e agregar ao meu próprio aprendizado.

As notícias que vemos ou fatos que presenciamos no geral nos deixam inertes, como se não tivéssemos nada a ver com isso. E vem o inquietamento, pois é difícil acreditar que vivendo no século XXI com a imensidão de conhecimento e informações que já foram desenvolvidos, pensados e escritos, não nos parece crível que agimos desta ou daquela maneira e que muitas das atitudes que consideramos aceitáveis parecem exceções.

Verificamos que a construção efetiva se dá num passo muito menor do que da nossa capacidade criativa e intencional. A execução, o agir, esbarra em uma série de artefatos, concretos ou não, que a nossa vontade não consegue transpor. E porquê?

Somos todos iguais na origem, e espíritos num processo natural de desenvolvimento individual, com livre arbítrio e inteligência, mas que necessariamente passamos ou adquirimos aprendizado através da relação com o outro.

Quando falamos da distância entre o discurso e ação, será que o falar, por si só não seria uma ação? Já que ao falarmos estamos de alguma forma nos comprometendo ou influenciando aquele que escuta?

As ações dos seres humanos, ou melhor, dos espíritos encarnados, são representadas por uma linguagem verbal ou não que de toda forma gerará consequências a partir da capacidade representativa do autor e sua vontade, ou seja, do seu campo de influência e dos diversos motivos que animam os interesses pessoais e coletivos.

E nesse momento que vivemos um período de revisão de valores é preciso ceder espaço à reflexão de que quanto mais se assume o que se é, embora não sem dor, abre-se caminho para a felicidade.

Não dá para fugir, se aqui estamos, estamos para fazer e realizar, assumindo a responsabilidade dos nossos pensamentos, ações e comportamentos, ou seja, a parte que nos cabe na construção de uma nova sociedade mais ética, justa e fraterna.

Questionamentos, dificuldades, resistências e reflexões haverão, mas não há mudanças sem esforço e comprometimento.

 Somos espíritos e temos nosso livre-arbítrio o que significa a possibilidade de optarmos entre muitas variáveis, exercendo o direito de escolha e praticando o exercício da vontade como garantia do poder de executar nossa decisão. Ora, todas essas atitudes só se concretizarão a partir de uma base de conhecimento do porquê, das razões e de se ter um consistente objetivo para a vida.

Portanto, devemos agir com parcimônia, mas quais são os limites da virtude da tolerância? Pensamos que pode se resumir em dois princípios: “Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti” e “Não deixes que te façam o que não farias a outrem”

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*Jailson Lima de Mendonça, casado, advogado e contador, Presidente do Centro Espírita Beneficente Ângelo Prado, Santos/SP e ex-presidente da CEPABrasil.













02 junho 2024

20 maio 2024

OS ESPÍRITAS ORTODOXOS

Salomão Jacob Benchaya(*) 

        

        A ortodoxia – do grego “orthos” (reto) e “doxa” (fé) – é uma característica do ambiente religioso. Os dicionários a definem como “referente a algo rígido, tradicional, que não evolui, que é conservador, que não se adapta nem admite novos princípios ou novas ideias”.           

      No espiritismo, que é um movimento evidentemente diversificado, segmentado, também encontramos espíritas ortodoxos, apegados excessivamente aos textos fundadores e avessos a uma reflexão contemporânea sobre as ideias basilares de Allan Kardec. Afirmam que “fora de Kardec, não há espiritismo” ou que “o Espiritismo é um só”. Percebem como verdade apenas o que se encontra na literatura kardeciana toda ela ditada e supervisionada pelos “espíritos superiores”. Sendo a “3ª revelação divina”, como equivocadamente Kardec o situou, tornar-se-ia uma doutrina infalível, portanto, definitiva e indiscutível, terreno já dominado ao qual, um dia, a Ciência poderá alcançar.       

05 maio 2024

O VELHO DE KAFKA

Maurice Herbert Jones (*)


Em sua obra “A Revolução da Esperança”, o psicanalista Erich Fromm cita uma intrigante história do livro “O Processo” de Franz Kafka. Um homem chega à porta que conduz ao céu (a Lei) e pede ao porteiro que o deixe entrar. Este lhe diz que não pode admiti-lo no momento. Embora a porta que leva à Lei esteja aberta, o homem decide que é melhor esperar até ter permissão para entrar. Ele se senta e espera durante dias e anos. Finalmente ele está velho e próximo da morte. Pela primeira vez, ele faz a pergunta: “Como é que durante todos esses anos, ninguém a não ser eu procurou entrar?” O porteiro respondeu: “Ninguém a não ser você poderia ter permissão de cruzar esta porta, porquanto ela estava destinada a você. Agora vou fechá-la.”

Os burocratas têm a última palavra. Esta é a moral da história de Kafka; se eles dizem não, ele não pode entrar. Se tivesse tido mais do que essa esperança passiva, ele teria entrado, e sua coragem para ignorar os burocratas teria sido o ato libertador.

20 abril 2024

POR QUE JULGAMOS TANTO?

Claudia Regis Machado*

É da natureza humana fazer um julgamento, uma avaliação do mundo de acordo com suas crenças.

Não estou restringindo aqui ao aspecto moral do que é certo ou errado, mas um olhar que abrange vários itens da vida humana onde está contido também a perspectiva ética que compõem nossas crenças, a nossa percepção de mundo.

Cada pessoa é um mundo, que passa por situações e vivencias com as com as quais sofreu e aprendeu, que só ela conhece e compreende. 

Na maioria das vezes acreditamos que a nossa visão é a única válida, e isto atrapalha de ir, de ver mais além, e compreender outras perspectivas diferentes.

05 abril 2024

TOLERÂNCIA, POSTULADO KARDECISTA

Saulo de Meira Albach - Procurador na Prefeitura Municipal de Curitiba, músico e atual presidente do CPDoc (Centro de Pesquisa e Documentação Espírita) 

O Espiritismo Kardecista ao defender a liberdade de pensamento e de consciência (crença), como se vê nas questões 833 a 842 de “O Livro dos Espíritos”, bem como ao excluir como critério de acesso à suprema felicidade a filiação a uma Igreja ou à verdade absoluta (posto que todos os sistemas de crença entendem possuir a verdade), elegendo em seu lugar a caridade – que pode ser praticada por todos, como se vê no Capítulo XV de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, deixa evidente sua adesão ao postulado da tolerância.  Em “O Que é o Espiritismo”, no interessante “diálogo com o padre”, Allan Kardec afirma que “a liberdade de consciência é consequência da liberdade de pensar, que é um dos atributos do homem; e o Espiritismo, se não a respeitasse, estaria em contradição com os seus princípios de liberdade e tolerância”.[1]

20 março 2024

Propostas para o Espiritismo Futuro: Quebra de Paradigma.

 Em busca de uma sociedade mais justa e igualitária

Por Sandra Regis*

A questão da Mulher – do Ser Feminino

Pensando em dar mais alguma contribuição para o tema central do Fórum: “Propostas para o Espiritismo Futuro: quebra de paradigmas”, decidi trazer uma questão, também social e muito importante, que reflete ou afeta diretamente a nossa evolução enquanto espíritos imortais, que é a questão da mulher, do ser feminino.

Este é um tema com o qual eu estou diretamente envolvida e, portanto, acho que posso ter algo a contribuir para a reflexão proposta por este Fórum.

05 março 2024

O Sonho e o Espiritismo – Uma abordagem médica e Espírita

 Maria Cristina Zaina*

A associação entre os conhecimentos médico e espírita a respeito do sonho nos parece promover acréscimo significativo no entendimento dos mecanismos que nos regem e na influência simultânea entre matéria e espírito, corpo e mente. Porém antes de mergulharmos numa análise comparativa entre estas áreas, se faz necessário recordar que quase um século os separa.

Kardec pertence ao século XIX, enquanto a maior parte das pesquisas médicas sobre o sonho e o sono se inicia efetivamente em meados do século XX. Isso, per si, justifica a necessidade de um diálogo entre estas duas áreas que, por abordar diferentes aspectos do Ser, se complementam: a medicina trata basicamente da matéria e o Espiritismo, do espírito e de suas relações com a vida corporal. É extremamente importante que possamos integrá-las para uma maior compreensão do todo.

20 fevereiro 2024

A Parte e o Todo

Alexandre Cardia Machado*

Meu cunhado e ex-presidente do ICKS, Roberto Rufo, há alguns anos me presenteou com um exemplar de A parte e o Todo, escrito por Heisenberg lá pelos anos 1960. É um livro que descreve as angústias e os desafios do desenvolvimento da Física Atômica e Quântica. Heisemberg é o autor do conhecido do chamado “Princípio da Incerteza”, que acabou com o último paradigma da Física Clássica ao afirmar que não era possível determinar ao mesmo tempo a posição e a velocidade de um elétron em seu movimento ao redor do núcleo atômico. Este mesmo princípio levou filósofos pelo mundo todo a questionar, se não podemos saber com certeza, como se comporta uma partícula, como podemos estar tão certos de como se comporta, portanto, um objeto complexo?

05 fevereiro 2024

LIBERDADE, FILHA DO CONHECIMENTO

Não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade. A liberdade não é um fim, mas uma consequência. 
Léon Tolstoi

Doutrinadores religiosos sustentam que a verdade liberta. Não se duvide. Jesus de Nazaré prenunciou que o homem estaria destinado a conhecer a verdade e que ela seria o fator determinante de sua libertação.

Por ora, no entanto, não temos mais que aproximações da verdade sobre as questões fundamentais que dizem com o universo, a inteligência dos seres, suas origens e os destinos a eles reservados. A ciência trabalha com hipóteses capazes de apontar caminhos ao

20 janeiro 2024

CARIDADE OU JUSTIÇA SOCIAL?


 Dirce Carvalho Leite – Pedagoga e Presidente do CCEPA – Centro Cultural Espírita de Porto Alegre,  RS, Brasil.



            Por um tempo longo demais, a Igreja tradicional admoestou seus fiéis com a máxima: “Fora da Igreja não há salvação”. Allan Kardec, corajosamente, ousou discordar e apresentou uma alternativa qualitativa ao propor: “Fora da Caridade não há salvação”. Nesta bandeira, o indivíduo dava um passo necessário na superação da heteronomia para a responsabilidade autônoma, que vislumbra o valor das próprias escolhas e das vitórias individuais, diante de uma ação intransferível e reflexiva, frente à realidade social em que vive.

17 janeiro 2024

RELATÓRIO DE GESTÃO 2021/2023

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DELEGADOS E AMIGOS                                    DA CEPA CEPABrasil - CNPJ 07.155.135/0001-75

RELATÓRIO DE GESTÃO DA CEPABrasil 

É com satisfação que apresentamos aos associados(as) o Relatório de Gestão da CEPABrasil referente ao mandato da diretoria executiva do período 2021/2023. Este relatório destaca os principais acontecimentos e realizações destes anos.

O fim de um mandato é sempre um momento de reflexão, avaliação e planejamento para o futuro da CEPABrasil. Acreditamos que podemos continuar a crescer e a servir com um pensamento espírita genuinamente kardecista, progressista, laico e livre pensador. Agradecemos a todos os associados(as)  e amigos(as) da CEPABrasil que contribuíram para o êxito de nossa administração.

05 janeiro 2024

REFLEXÕES

Maurice Herbert Jones*

Se Kardec não houvesse fundado, desenvolvido e propagado a Ciência Espírita, pela qual deu sua vida e seu gênio, nossa cultura não passaria de um ciscar de galinhas na crosta da terra.
Nunca saberíamos, através de pesquisas psicológicas e físicas incessantemente repetidas, o que somos, qual o nosso destino e o que a morte representa no vir-a-ser da Humanidade. 
Ele obrigou os mais famosos cientistas do século XIX a pôr de lado as suas preocupações com a matéria para descobrir e provar a existência do Espírito, como aconteceu com William Crookes, Charles Richet, Alexandre Aksakof, Ochorowics, Friedrich Zõllner e tantos outros, a enfrentar os fantasmas como Edipo enfrentou a Esfinge. Em nosso século forçou Rhine e McDougal a desenvolver na Parapsicolo¬gia as suas pesquisas, hoje vitoriosas em todo mundo. 

Dr. Urbano de Assis Xavier

Marília, SP, maio de 1946.

Reconheço que a Doutrina Espírita, no que se refere a sua essencialidade, pode ser apreciada de várias formas. Parece evidente que nossas características culturais e psicológicas são determinantes na seleção daquilo que mais nos sensibiliza, que mais se afina com a nossa natureza, merecendo, por isso, destaque especial.

Pessoalmente, identifico-me com aqueles que veem no Espiritismo, sobretudo, a ciência que, interpretando racionalmente os fenômenos mediúnicos, fez do espírito, pela primeira vez na história, objeto central da sua pesquisa. Revelando a existência do espírito como "ser concreto e circunscrito que, em certos casos, pode ser apreendido pelos nossos sentidos", Kardec inicia uma revolução conceptual que ainda não foi valorizada nem pelos espíritas.

J. Herculano Pires dizia, talvez um pouco presunçosamente, que o Espiritismo é uma síntese conceptual do mundo moderno, como o Cristianismo o foi do mundo greco-judaico-romano e o Mosaísmo do mundo antigo. Apesar do escancarado cristiano centrismo desta afirmação que parece não reconhecer na milenar cultura oriental mais do que um ensaio para o surgimento do Mosaísmo é evidente a vocação daquele Espiritismo de Allan Kardec e Leon Denis para a síntese. Vocação esquecida ou despercebida pela maioria dos espíritas, especialmente no Brasil, que aceitaram a transformação do vigoroso e promissor pensamento espírita em mais uma religião. Este processo de sectarização retirou o Espiritismo do campo aberto dos debates científicos e das especulações filosóficas e o isolou nas áreas pouco ventiladas das religiões, das crendices.

A "religião espírita'' até que é bem sucedida no Brasil, tendo conquistado adeptos e admiradores, principalmente, pelas realizações de natureza assistencial. É uma religião simpática e certamente seria a minha escolha se me obrigassem a ter religião. Não nos iludamos, porém, com esta simpatia, ela não tem profundidade. Eu também me comovo diante do trabalho abnegado de profitentes das diversas religiões. Isto, entretanto, não me arrasta para estas religiões nem modifica minha filosofia de vida. E aí está uma questão fundamental.

Já foi dito que o homem moderno não quer mais crer de olhos fechados e sim saber de olhos abertos, significando isto que o homem esclarecido da nossa época somente aceita modificar sua filosofia, isto é, sua concepção do homem e do mundo, mediante argumentação científica e filosófica robusta. Ora, o dote espírita é destacado especialmente nestas áreas e, se for inteligentemente divulgado, poderá ser valioso aliado na busca da verdade, da liberdade e na luta contra o sofrimento, objetivos comuns a todos os homens.

A consequência essencial do extraordinário diálogo de Kardec com os espíritos foi revelar a existência objetiva do mundo extra físico ou espiritual do qual o nosso mundo físico é mero subsistema, deslocando, assim, o eixo das nossas perquirições filosóficas. Do homem físico passamos para o homem espiritual que transcende aquele. Ora, considerando a existência desta dimensão extrafísica como fundamental, o Espiritismo afeta drasticamente a forma pela qual percebemos o mundo e a nós mesmos.

Esta visão espiritocêntrica e o "humanismo transcendental" que dela decorre é o cerne da filosofia espírita. Sua natureza renovadora, revolucionária é evidente. É como brisa fresca no deserto, mas é doutrina de homens para homens e só poderá ser aquilo que dela fizermos.

 

(*) Maurice Herbert Jones, eletricitário, foi conferencista espírita; ex-presidente da Federação Espírita do Rio Grande do Sul; presidente da Sociedade Espírita Luz e Caridade (atual Centro Cultural Espírita de Porto Alegre) em várias gestões, ex-assessor da CEPA-Associação Espírita Internacional. Desencarnou em 20/06/2021, aos 92 anos.

(Publicado no Jornal Opinião de novembro de 1997)



 

21 dezembro 2023

MENSAGEM DE FINAL DE ANO CEPABrasil

 "A paz invadiu o meu coração       
De repente, me encheu de paz      
Como se o vento de um tufão       
 Arrancasse meus pés do chão      
Onde eu já não me enterro mais” 
Gilberto Gil

A bela canção de Gilberto Gil nos fala de paz. Como necessitamos de paz! Paz no mundo e paz em nós! Como viver a paz em um mundo cheio de conflitos? Como ter paz em nós quando nossos corações seguem atormentados por tantos problemas de ordem pessoal? A paz é o grande ideal coletivo e
individual dos seres humanos.
É necessário perseverar na busca pela paz, mesmo com a consciência de que neste mundo de provas e expiações, conforme a classificação de Kardec, ela é muito rara. A paz, assim como a justiça, a liberdade, o amor, a fraternidade e a igualdade devem ser nossas utopias, pois as utopias nos fazem caminhar em direção a novos horizontes. Sem as utopias que nos movem ficaríamos paralisados e resignados.
Que nestas festas de final de ano a paz possa “invadir nossos corações”. Que a utopia da paz, em nós e no mundo, volte a nos encantar e inspirar! Não apenas nessa época de festas, mas durante todos os dias de 2024.
A CEPABrasil deseja boas festas e muita paz a todos seus associados (as) e amigos (as).E um feliz 2024!


20 dezembro 2023

REELEIÇÃO NA CEPABrasil

             

Em 11 de novembro de 2023, às 17Horas, reuniram-se os associados da CEPABrasil com vistas à eleição da nova diretoria para o biênio 2024/2025, tendo sido eleita a seguinte Diretoria e Conselho Fiscal para o próximo mandato. 

        Para o cargo de presidente, vice-presidente, secretária e tesoureira foram eleitos respectivamente: Ricardo Nunes, Alcione Moreno, Regina Pedron e Elizabete Monson.

Para o Conselho Fiscal titular: Marissol Castello Branco, Eva Gonçalves de Almeida e Delma Crotti, sendo eleita como conselheira suplente, Rita de Cassia Fernandez.

Os assessores da Diretoria no novo período serão Néventon Vargas, na Assessoria de Comunicação, e Salomão Benchaya, como Assessor de Relações com o movimento espírita.

 No período 2021/2023 a CEPABrasil realizou várias atividades, entre as quais passo a destacar:

a) Palestras online com autores dos  livros da coleção Livre-Pensar editados pela CEPA e CPDoc;

b)Palestras online com os Amigos da CEPA;

05 dezembro 2023

QUAL É O JESUS DO ESPIRITISMO?

 Salomão Jacob Benchaya*

        O livro O Cristo de Paulo de Tarso, lançado em outubro/2020 pelo prof. José Lázaro Boberg, de Jacarezinho-PR, está fadado a marcar fortemente o movimento cristão e, particularmente, o espírita. Isto porque confronta posições arraigadas na tradição católica e espírita em torno dos evangelhos e de seus principais protagonistas, com repercussões, a meu ver, na leitura das obras de Kardec e de médiuns como Chico Xavier e seu guia espiritual Emmanuel.

Nessa obra, prefaciada por Milton Medran Moreira, Boberg afirma que o Cristo a que Paulo se refere em suas “cartas” ou “epístolas” – os primeiros escritos do cristianismo – não é o homem de Nazaré, mas o Christós do gnosticismo, o Cristo espiritual, interior, o Deus que vive em nós, centelha divina de que todos são dotados.

20 novembro 2023

Carta às filhas e filhos de Botos

      Rosana Santana*

        Como mulher e indivíduo pertencente à etnia negra, enfoco questões existentes entre o feminismo que para a mulher branca, em comparação com o feminismo para a mulher preta diverge, pois que é possuidor de outro viés, outras vertentes de enfrentamentos.
    Para introdução do tema faço minha reverência à Carolina Maria de Jesus, escritora brasileira, mulher negra, moradora da Favela do Canindé nos anos 1950, lugar que foi palco para a sua obra mais conhecida. Sem escolarização suficiente, pois teve acesso a apenas dois anos de aprendizado, escreveu em verso e em prosa. Dona de uma inteligência e aptidão natural para a arte de colocar em letras o cotidiano pobre, preto, sofrido, famélico, injusto, excludente e machista, pois que mãe solteira lutou para vestir, educar, nutrir, educar, três filhos sozinha, sem a ajuda dos pais destes.
    Sendo um retrato fiel da solidão da mulher negra por esse Brasil afora, o diário da fome, que é a realidade exposta nas linhas de Carolina, nos ilustra com clareza, a opressão, sofrimento, sedução e abandono a que muitas de nós somos relegadas, por um sistema misógino e racista.
    

17 novembro 2023

MANIFESTO PELA PAZ


Associação Brasileira de Delegados e Amigos da 
CEPA – Associação Espírita Internacional



MANIFESTO PELA PAZ NO CONFLITO ISRAEL/PALESTINA

Nós, espíritas laicos e livre-pensadores, associados e amigos da CEPABrasil, instituição filiada à CEPA- Associação Espírita Internacional, no exercício de nossa liberdade de expressão conferida pela Constituição da República Federativa do Brasil e inspirados nos princípios humanistas da filosofia espírita fundada e codificada por Allan Kardec, manifestamos nosso repúdio ao conflito armado entre israelenses e palestinos, deflagrado, nos últimos dias, na região do Oriente Médio.