20 maio 2024

OS ESPÍRITAS ORTODOXOS

Salomão Jacob Benchaya(*) 

        

        A ortodoxia – do grego “orthos” (reto) e “doxa” (fé) – é uma característica do ambiente religioso. Os dicionários a definem como “referente a algo rígido, tradicional, que não evolui, que é conservador, que não se adapta nem admite novos princípios ou novas ideias”.           

      No espiritismo, que é um movimento evidentemente diversificado, segmentado, também encontramos espíritas ortodoxos, apegados excessivamente aos textos fundadores e avessos a uma reflexão contemporânea sobre as ideias basilares de Allan Kardec. Afirmam que “fora de Kardec, não há espiritismo” ou que “o Espiritismo é um só”. Percebem como verdade apenas o que se encontra na literatura kardeciana toda ela ditada e supervisionada pelos “espíritos superiores”. Sendo a “3ª revelação divina”, como equivocadamente Kardec o situou, tornar-se-ia uma doutrina infalível, portanto, definitiva e indiscutível, terreno já dominado ao qual, um dia, a Ciência poderá alcançar.           

        Tal postura assemelha-se ao fundamentalismo religioso, geralmente baseado em um livro sagrado que é interpretado literalmente. É nesse campo que se encontram, também, os defensores da “pureza doutrinária” que nada mais é do que o modelo de espiritismo pretendido pelos detentores do poder e do discurso dominante, não necessariamente o proposto pelo fundador do espiritismo.

           Elias Inácio de Moraes, em seu livro “Contextualizando Kardec: do século XIX ao XXI”, contrapõe-se a essa visão ao trazer para a contemporaneidade informações e conceitos apresentados por Kardec, perfeitamente ajustados ao seu tempo, mas impróprios para os dias atuais.   

        Quando a CEPA organizou, em 2000, o seu XVIII Congresso Espírita Pan-americano, na cidade de Porto Alegre e propôs a discussão do tema “Deve o Espiritismo atualizar-se?” – vejam que a CEPA nem afirmou tal necessidade, nem se propôs a assumir tal empreitada; apenas convidou os espíritas à reflexão sobre o tema -, houve uma intensa reação do movimento organizado, com recusa das federativas estadual e nacional a participarem, sob a alegação de que somente os espíritos superiores poderiam tomar tal iniciativa.

         Aliás, eu nem poderia classificar a maioria das federações espíritas como ortodoxas, tendo em vista sua declarada ou disfarçada adesão aos preceitos roustainguistas.

        É possível, grosso modo, traçar-se um perfil do espírita ortodoxo, ao qual se ajustam, também, espíritas conservadores:

  • Considera-se um defensor da pureza doutrinária;
  • Acredita que o espiritismo tem respostas para tudo;
  • Apega-se literalmente aos textos de Kardec;
  • Possui convicções inabaláveis;
  • Diante das certezas que possui, torna-se, por vezes,  extremamente intolerante;
  • Tende a menosprezar, combater e até a silenciar o diferente;
  • Opõe-se à análise crítica dos textos fundadores do espiritismo;
  • Recusa o diálogo e/ou a conciliação com o opositor;
  • Atribui ao Espiritismo a tarefa de salvar a humanidade;
  • Condena os que defendem a atualização do Espiritismo.

        Será que essa postura supremacista teria o aval do fundador do espiritismo?

        Como conciliar tal posicionamento em face da ética proposta por Jesus de Nazaré?

        Há perspectivas de uma renovação de mentalidades entre os espíritas?

         Certamente, Kardec não avalizaria a postura ortodoxa, muitas vezes fundamentalista, de espíritas defensores da “pureza doutrinária”, excludentes e arrogantes, como fica evidenciado no seguinte trecho de Obras Póstumas:

“Pretender, porém que o Espiritismo venha a ser organizado, por toda a parte, da mesma maneira; que os espíritas do mundo inteiro sejam sujeitos a um regime uniforme, a uma única norma de procedimento; que devem esperar a luz de um único ponto, para onde tenham voltado os olhos, seria utopia tão absurda, como pretender que todos os povos da terra não formem um dia senão uma única nação, governada por um único chefe, regida por um mesmo código de lei e tendo usos e costumes idênticos.”

 Allan Kardec

 

        Cada vez mais, cresce a percepção de que o mundo caminha para a diversidade, para o pluralismo. São as diferenças que propiciam a interação, o conflito e a dialética busca do crescimento. O propósito alimentado pelos órgãos federativos de “unificar” os espíritas se torna ultrapassado e colonialista por querer impor o “seu” pensamento, o seu modelo exclusivo, cerceando os adeptos de exercerem seu mais elementar direito – o de pensar livremente e de agir segundo sua própria consciência. Os que pensam diferente são marginalizados, excomungados da comunidade federada.

            Há pouco mais de 20 anos, começava-se a falar em Alteridade no movimento espírita. Luiz Signates, estudioso de Emmanuel Levinas e Jürgen Habermas, foi quem difundiu o termo e o conceito em nosso movimento impactando a comunicação e o comportamento dos espíritas. Dizia ele em um de seus textos:

“A fraternidade e o diálogo implicam: não ser indiferente ao outro, mas não apenas isso. Também aceitar pacificamente a presença da diferença do outro, mas não só. Deve a diferença do outro ser vista como possibilidade de aprendizado para o eu, mas não basta. É preciso amá-lo, na diferença dele, e não simplesmente ‘tolerá-lo’.”

Luiz Signates

 

        O segmento não religioso assimilou prontamente a proposta da alteridade, hoje compartilhada por inúmeros coletivos que oxigenam o MEB com suas reflexões e teses. Aliás, postura análoga já era defendida pela CEPA que, sem ser religiosa, esteve sempre aberta ao diálogo e à convivência harmoniosa com os vários “espiritismos”.  A CEPA e os espíritas a ela vinculados já foram taxados de “não espíritas” e “obsedados”. Isso vem mudando, felizmente.

         Há, todavia, elogiosas exceções de companheiros e instituições integrantes do movimento majoritário propensos ao diálogo e ao intercâmbio com os espíritas de variados matizes. Tal postura é – pode-se dizer – condizente com a ética de Jesus quando afirmou “Se somente amardes os que vos amam, que mérito se vos reconhecerá, uma vez que as pessoas de má vida também amam os que as amam?”

        Oxalá, possa a experiência do convívio com os diferentes propiciar a união nos moldes preconizados pelo fundador do espiritismo. Que se abandone, assim, o propósito “unificacionista”, portador de uma pretensa vontade divina, missionário, intolerante, castrador, do pensamento único, da fraternidade apenas com os seus iguais, da ausência de reflexão crítica.

            Há, pois, esperança quanto a uma lenta renovação no movimento espírita quando todos os espiritismos caminharão juntos!

 

(*) Economista, 78, Diretor de Eventos Culturais e Intercâmbio do CCEPA, Assessor de Relações com o Movimento Espírita da CEPABrasil, Diretor Administrativo da CEPA, ex-presidente da FERGS.

05 maio 2024

O VELHO DE KAFKA

Maurice Herbert Jones (*)


Em sua obra “A Revolução da Esperança”, o psicanalista Erich Fromm cita uma intrigante história do livro “O Processo” de Franz Kafka. Um homem chega à porta que conduz ao céu (a Lei) e pede ao porteiro que o deixe entrar. Este lhe diz que não pode admiti-lo no momento. Embora a porta que leva à Lei esteja aberta, o homem decide que é melhor esperar até ter permissão para entrar. Ele se senta e espera durante dias e anos. Finalmente ele está velho e próximo da morte. Pela primeira vez, ele faz a pergunta: “Como é que durante todos esses anos, ninguém a não ser eu procurou entrar?” O porteiro respondeu: “Ninguém a não ser você poderia ter permissão de cruzar esta porta, porquanto ela estava destinada a você. Agora vou fechá-la.”

Os burocratas têm a última palavra. Esta é a moral da história de Kafka; se eles dizem não, ele não pode entrar. Se tivesse tido mais do que essa esperança passiva, ele teria entrado, e sua coragem para ignorar os burocratas teria sido o ato libertador.

20 abril 2024

POR QUE JULGAMOS TANTO?

Claudia Regis Machado*

É da natureza humana fazer um julgamento, uma avaliação do mundo de acordo com suas crenças.

Não estou restringindo aqui ao aspecto moral do que é certo ou errado, mas um olhar que abrange vários itens da vida humana onde está contido também a perspectiva ética que compõem nossas crenças, a nossa percepção de mundo.

Cada pessoa é um mundo, que passa por situações e vivencias com as com as quais sofreu e aprendeu, que só ela conhece e compreende. 

Na maioria das vezes acreditamos que a nossa visão é a única válida, e isto atrapalha de ir, de ver mais além, e compreender outras perspectivas diferentes.

05 abril 2024

TOLERÂNCIA, POSTULADO KARDECISTA

Saulo de Meira Albach - Procurador na Prefeitura Municipal de Curitiba, músico e atual presidente do CPDoc (Centro de Pesquisa e Documentação Espírita) 

O Espiritismo Kardecista ao defender a liberdade de pensamento e de consciência (crença), como se vê nas questões 833 a 842 de “O Livro dos Espíritos”, bem como ao excluir como critério de acesso à suprema felicidade a filiação a uma Igreja ou à verdade absoluta (posto que todos os sistemas de crença entendem possuir a verdade), elegendo em seu lugar a caridade – que pode ser praticada por todos, como se vê no Capítulo XV de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, deixa evidente sua adesão ao postulado da tolerância.  Em “O Que é o Espiritismo”, no interessante “diálogo com o padre”, Allan Kardec afirma que “a liberdade de consciência é consequência da liberdade de pensar, que é um dos atributos do homem; e o Espiritismo, se não a respeitasse, estaria em contradição com os seus princípios de liberdade e tolerância”.[1]

20 março 2024

Propostas para o Espiritismo Futuro: Quebra de Paradigma.

 Em busca de uma sociedade mais justa e igualitária

Por Sandra Regis*

A questão da Mulher – do Ser Feminino

Pensando em dar mais alguma contribuição para o tema central do Fórum: “Propostas para o Espiritismo Futuro: quebra de paradigmas”, decidi trazer uma questão, também social e muito importante, que reflete ou afeta diretamente a nossa evolução enquanto espíritos imortais, que é a questão da mulher, do ser feminino.

Este é um tema com o qual eu estou diretamente envolvida e, portanto, acho que posso ter algo a contribuir para a reflexão proposta por este Fórum.

05 março 2024

O Sonho e o Espiritismo – Uma abordagem médica e Espírita

 Maria Cristina Zaina*

A associação entre os conhecimentos médico e espírita a respeito do sonho nos parece promover acréscimo significativo no entendimento dos mecanismos que nos regem e na influência simultânea entre matéria e espírito, corpo e mente. Porém antes de mergulharmos numa análise comparativa entre estas áreas, se faz necessário recordar que quase um século os separa.

Kardec pertence ao século XIX, enquanto a maior parte das pesquisas médicas sobre o sonho e o sono se inicia efetivamente em meados do século XX. Isso, per si, justifica a necessidade de um diálogo entre estas duas áreas que, por abordar diferentes aspectos do Ser, se complementam: a medicina trata basicamente da matéria e o Espiritismo, do espírito e de suas relações com a vida corporal. É extremamente importante que possamos integrá-las para uma maior compreensão do todo.

20 fevereiro 2024

A Parte e o Todo

Alexandre Cardia Machado*

Meu cunhado e ex-presidente do ICKS, Roberto Rufo, há alguns anos me presenteou com um exemplar de A parte e o Todo, escrito por Heisenberg lá pelos anos 1960. É um livro que descreve as angústias e os desafios do desenvolvimento da Física Atômica e Quântica. Heisemberg é o autor do conhecido do chamado “Princípio da Incerteza”, que acabou com o último paradigma da Física Clássica ao afirmar que não era possível determinar ao mesmo tempo a posição e a velocidade de um elétron em seu movimento ao redor do núcleo atômico. Este mesmo princípio levou filósofos pelo mundo todo a questionar, se não podemos saber com certeza, como se comporta uma partícula, como podemos estar tão certos de como se comporta, portanto, um objeto complexo?

17 fevereiro 2024

05 fevereiro 2024

LIBERDADE, FILHA DO CONHECIMENTO

Não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade. A liberdade não é um fim, mas uma consequência. 
Léon Tolstoi

Doutrinadores religiosos sustentam que a verdade liberta. Não se duvide. Jesus de Nazaré prenunciou que o homem estaria destinado a conhecer a verdade e que ela seria o fator determinante de sua libertação.

Por ora, no entanto, não temos mais que aproximações da verdade sobre as questões fundamentais que dizem com o universo, a inteligência dos seres, suas origens e os destinos a eles reservados. A ciência trabalha com hipóteses capazes de apontar caminhos ao

20 janeiro 2024

CARIDADE OU JUSTIÇA SOCIAL?


 Dirce Carvalho Leite – Pedagoga e Presidente do CCEPA – Centro Cultural Espírita de Porto Alegre,  RS, Brasil.



            Por um tempo longo demais, a Igreja tradicional admoestou seus fiéis com a máxima: “Fora da Igreja não há salvação”. Allan Kardec, corajosamente, ousou discordar e apresentou uma alternativa qualitativa ao propor: “Fora da Caridade não há salvação”. Nesta bandeira, o indivíduo dava um passo necessário na superação da heteronomia para a responsabilidade autônoma, que vislumbra o valor das próprias escolhas e das vitórias individuais, diante de uma ação intransferível e reflexiva, frente à realidade social em que vive.

17 janeiro 2024

RELATÓRIO DE GESTÃO 2021/2023

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DELEGADOS E AMIGOS                                    DA CEPA CEPABrasil - CNPJ 07.155.135/0001-75

RELATÓRIO DE GESTÃO DA CEPABrasil 

É com satisfação que apresentamos aos associados(as) o Relatório de Gestão da CEPABrasil referente ao mandato da diretoria executiva do período 2021/2023. Este relatório destaca os principais acontecimentos e realizações destes anos.

O fim de um mandato é sempre um momento de reflexão, avaliação e planejamento para o futuro da CEPABrasil. Acreditamos que podemos continuar a crescer e a servir com um pensamento espírita genuinamente kardecista, progressista, laico e livre pensador. Agradecemos a todos os associados(as)  e amigos(as) da CEPABrasil que contribuíram para o êxito de nossa administração.

05 janeiro 2024

REFLEXÕES

Maurice Herbert Jones*

Se Kardec não houvesse fundado, desenvolvido e propagado a Ciência Espírita, pela qual deu sua vida e seu gênio, nossa cultura não passaria de um ciscar de galinhas na crosta da terra.
Nunca saberíamos, através de pesquisas psicológicas e físicas incessantemente repetidas, o que somos, qual o nosso destino e o que a morte representa no vir-a-ser da Humanidade. 
Ele obrigou os mais famosos cientistas do século XIX a pôr de lado as suas preocupações com a matéria para descobrir e provar a existência do Espírito, como aconteceu com William Crookes, Charles Richet, Alexandre Aksakof, Ochorowics, Friedrich Zõllner e tantos outros, a enfrentar os fantasmas como Edipo enfrentou a Esfinge. Em nosso século forçou Rhine e McDougal a desenvolver na Parapsicolo¬gia as suas pesquisas, hoje vitoriosas em todo mundo. 

Dr. Urbano de Assis Xavier

Marília, SP, maio de 1946.

Reconheço que a Doutrina Espírita, no que se refere a sua essencialidade, pode ser apreciada de várias formas. Parece evidente que nossas características culturais e psicológicas são determinantes na seleção daquilo que mais nos sensibiliza, que mais se afina com a nossa natureza, merecendo, por isso, destaque especial.

Pessoalmente, identifico-me com aqueles que veem no Espiritismo, sobretudo, a ciência que, interpretando racionalmente os fenômenos mediúnicos, fez do espírito, pela primeira vez na história, objeto central da sua pesquisa. Revelando a existência do espírito como "ser concreto e circunscrito que, em certos casos, pode ser apreendido pelos nossos sentidos", Kardec inicia uma revolução conceptual que ainda não foi valorizada nem pelos espíritas.

J. Herculano Pires dizia, talvez um pouco presunçosamente, que o Espiritismo é uma síntese conceptual do mundo moderno, como o Cristianismo o foi do mundo greco-judaico-romano e o Mosaísmo do mundo antigo. Apesar do escancarado cristiano centrismo desta afirmação que parece não reconhecer na milenar cultura oriental mais do que um ensaio para o surgimento do Mosaísmo é evidente a vocação daquele Espiritismo de Allan Kardec e Leon Denis para a síntese. Vocação esquecida ou despercebida pela maioria dos espíritas, especialmente no Brasil, que aceitaram a transformação do vigoroso e promissor pensamento espírita em mais uma religião. Este processo de sectarização retirou o Espiritismo do campo aberto dos debates científicos e das especulações filosóficas e o isolou nas áreas pouco ventiladas das religiões, das crendices.

A "religião espírita'' até que é bem sucedida no Brasil, tendo conquistado adeptos e admiradores, principalmente, pelas realizações de natureza assistencial. É uma religião simpática e certamente seria a minha escolha se me obrigassem a ter religião. Não nos iludamos, porém, com esta simpatia, ela não tem profundidade. Eu também me comovo diante do trabalho abnegado de profitentes das diversas religiões. Isto, entretanto, não me arrasta para estas religiões nem modifica minha filosofia de vida. E aí está uma questão fundamental.

Já foi dito que o homem moderno não quer mais crer de olhos fechados e sim saber de olhos abertos, significando isto que o homem esclarecido da nossa época somente aceita modificar sua filosofia, isto é, sua concepção do homem e do mundo, mediante argumentação científica e filosófica robusta. Ora, o dote espírita é destacado especialmente nestas áreas e, se for inteligentemente divulgado, poderá ser valioso aliado na busca da verdade, da liberdade e na luta contra o sofrimento, objetivos comuns a todos os homens.

A consequência essencial do extraordinário diálogo de Kardec com os espíritos foi revelar a existência objetiva do mundo extra físico ou espiritual do qual o nosso mundo físico é mero subsistema, deslocando, assim, o eixo das nossas perquirições filosóficas. Do homem físico passamos para o homem espiritual que transcende aquele. Ora, considerando a existência desta dimensão extrafísica como fundamental, o Espiritismo afeta drasticamente a forma pela qual percebemos o mundo e a nós mesmos.

Esta visão espiritocêntrica e o "humanismo transcendental" que dela decorre é o cerne da filosofia espírita. Sua natureza renovadora, revolucionária é evidente. É como brisa fresca no deserto, mas é doutrina de homens para homens e só poderá ser aquilo que dela fizermos.

 

(*) Maurice Herbert Jones, eletricitário, foi conferencista espírita; ex-presidente da Federação Espírita do Rio Grande do Sul; presidente da Sociedade Espírita Luz e Caridade (atual Centro Cultural Espírita de Porto Alegre) em várias gestões, ex-assessor da CEPA-Associação Espírita Internacional. Desencarnou em 20/06/2021, aos 92 anos.

(Publicado no Jornal Opinião de novembro de 1997)



 

21 dezembro 2023

MENSAGEM DE FINAL DE ANO CEPABrasil

 "A paz invadiu o meu coração       
De repente, me encheu de paz      
Como se o vento de um tufão       
 Arrancasse meus pés do chão      
Onde eu já não me enterro mais” 
Gilberto Gil

A bela canção de Gilberto Gil nos fala de paz. Como necessitamos de paz! Paz no mundo e paz em nós! Como viver a paz em um mundo cheio de conflitos? Como ter paz em nós quando nossos corações seguem atormentados por tantos problemas de ordem pessoal? A paz é o grande ideal coletivo e
individual dos seres humanos.
É necessário perseverar na busca pela paz, mesmo com a consciência de que neste mundo de provas e expiações, conforme a classificação de Kardec, ela é muito rara. A paz, assim como a justiça, a liberdade, o amor, a fraternidade e a igualdade devem ser nossas utopias, pois as utopias nos fazem caminhar em direção a novos horizontes. Sem as utopias que nos movem ficaríamos paralisados e resignados.
Que nestas festas de final de ano a paz possa “invadir nossos corações”. Que a utopia da paz, em nós e no mundo, volte a nos encantar e inspirar! Não apenas nessa época de festas, mas durante todos os dias de 2024.
A CEPABrasil deseja boas festas e muita paz a todos seus associados (as) e amigos (as).E um feliz 2024!


20 dezembro 2023

REELEIÇÃO NA CEPABrasil

             

Em 11 de novembro de 2023, às 17Horas, reuniram-se os associados da CEPABrasil com vistas à eleição da nova diretoria para o biênio 2024/2025, tendo sido eleita a seguinte Diretoria e Conselho Fiscal para o próximo mandato. 

        Para o cargo de presidente, vice-presidente, secretária e tesoureira foram eleitos respectivamente: Ricardo Nunes, Alcione Moreno, Regina Pedron e Elizabete Monson.

Para o Conselho Fiscal titular: Marissol Castello Branco, Eva Gonçalves de Almeida e Delma Crotti, sendo eleita como conselheira suplente, Rita de Cassia Fernandez.

Os assessores da Diretoria no novo período serão Néventon Vargas, na Assessoria de Comunicação, e Salomão Benchaya, como Assessor de Relações com o movimento espírita.

 No período 2021/2023 a CEPABrasil realizou várias atividades, entre as quais passo a destacar:

a) Palestras online com autores dos  livros da coleção Livre-Pensar editados pela CEPA e CPDoc;

b)Palestras online com os Amigos da CEPA;

05 dezembro 2023

QUAL É O JESUS DO ESPIRITISMO?

 Salomão Jacob Benchaya*

        O livro O Cristo de Paulo de Tarso, lançado em outubro/2020 pelo prof. José Lázaro Boberg, de Jacarezinho-PR, está fadado a marcar fortemente o movimento cristão e, particularmente, o espírita. Isto porque confronta posições arraigadas na tradição católica e espírita em torno dos evangelhos e de seus principais protagonistas, com repercussões, a meu ver, na leitura das obras de Kardec e de médiuns como Chico Xavier e seu guia espiritual Emmanuel.

Nessa obra, prefaciada por Milton Medran Moreira, Boberg afirma que o Cristo a que Paulo se refere em suas “cartas” ou “epístolas” – os primeiros escritos do cristianismo – não é o homem de Nazaré, mas o Christós do gnosticismo, o Cristo espiritual, interior, o Deus que vive em nós, centelha divina de que todos são dotados.

20 novembro 2023

Carta às filhas e filhos de Botos

      Rosana Santana*

        Como mulher e indivíduo pertencente à etnia negra, enfoco questões existentes entre o feminismo que para a mulher branca, em comparação com o feminismo para a mulher preta diverge, pois que é possuidor de outro viés, outras vertentes de enfrentamentos.
    Para introdução do tema faço minha reverência à Carolina Maria de Jesus, escritora brasileira, mulher negra, moradora da Favela do Canindé nos anos 1950, lugar que foi palco para a sua obra mais conhecida. Sem escolarização suficiente, pois teve acesso a apenas dois anos de aprendizado, escreveu em verso e em prosa. Dona de uma inteligência e aptidão natural para a arte de colocar em letras o cotidiano pobre, preto, sofrido, famélico, injusto, excludente e machista, pois que mãe solteira lutou para vestir, educar, nutrir, educar, três filhos sozinha, sem a ajuda dos pais destes.
    Sendo um retrato fiel da solidão da mulher negra por esse Brasil afora, o diário da fome, que é a realidade exposta nas linhas de Carolina, nos ilustra com clareza, a opressão, sofrimento, sedução e abandono a que muitas de nós somos relegadas, por um sistema misógino e racista.
    

17 novembro 2023

MANIFESTO PELA PAZ


Associação Brasileira de Delegados e Amigos da 
CEPA – Associação Espírita Internacional



MANIFESTO PELA PAZ NO CONFLITO ISRAEL/PALESTINA

Nós, espíritas laicos e livre-pensadores, associados e amigos da CEPABrasil, instituição filiada à CEPA- Associação Espírita Internacional, no exercício de nossa liberdade de expressão conferida pela Constituição da República Federativa do Brasil e inspirados nos princípios humanistas da filosofia espírita fundada e codificada por Allan Kardec, manifestamos nosso repúdio ao conflito armado entre israelenses e palestinos, deflagrado, nos últimos dias, na região do Oriente Médio.

05 novembro 2023

Encerrou-se no dia 28 de outubro de 2023 o II Fórum do Livre-Pensar Espírita da Grande São Paulo, promovido pela CEPA Associação Espírita Internacional e CEPABrasil - Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA, com a adesão de instituições espíritas da região e participação de renomados palestrantes.

O objetivo deste evento foi debater "Propostas para o Espiritismo Futuro: Quebra de Paradigma - Em busca de uma sociedade mais justa e igualitária".

A abertura se deu dia 16 de outubro de 2023, no Grupo Espírita Manoel Bento, zona norte da cidade de São Paulo, cujo palestrante, Elias Moraes, da cidade de Goiânia, Estado de Goiás, abordou o tema "Contextulizar Kardec visando uma nova sociedade".

Dia 18 de outubro de 2023 o Centro Espírita José Barroso recebveu o expositor Luiz Signates, também da cidade de Goiânia, que discutiu o tema "O que há de espiritual nas temáticas sociais".

20 outubro 2023

O PODER DO PENSAMENTO

 Delma Crotti*

            Assunto recorrente, tanto na literatura espírita quanto nas de outras orientações espiritualistas ou religiosas e de auto ajuda, o poder do pensamento tem sido estudado cientificamente em campos como da neurociência (ramo da biologia), que é o estudo científico do sistema nervoso, e nos informa que todas as nossas atividades começam no cérebro. Que ele é plástico e vive em constante mudança; sempre pronto para adotar novos hábitos ou eliminar os antigos. Isto é chamado de Neuroplasticidade ou plasticidade cerebral – característica que o torna flexível e mutável. Essa característica permite que ele se recupere e se reorganize em casos de traumas, fortes emoções, perdas e conquistas, mudanças comportamentais, necessidades pessoais etc.

05 outubro 2023

ALEA JACTA EST!


Eugenio Lara*

Seja o que o acaso quiser. Deixa rolar. “A sorte está lançada!”, teria afirmado o imperador romano Júlio César a suas legiões no campo de batalha. Ou, em certas circunstâncias da vida, “lavamos as mãos”, como fez Pilatos com Jesus, alguns séculos depois. E deixamos rolar... “Deixa a vida me levar”. “Seja o que Deus quiser”, é o que diz o vulgo nessa expressão não somente popular, mas universal, pois em qualquer latitude ou longitude ela está presente, conforme o contexto religioso e simbólico.

Alá, Jeová, Buda, Krishna, Tupã, Brama, Zeus etc. seja qual nome for, as referências são semelhantes. É o maktub divino, o karma celestial, a vontade de Deus, o desejo dos deuses, a fatalidade e o destino determinando nossas vidas.