domingo, 9 de agosto de 2015

Mensagem do Presidente

Aos pais (e mães) de verdade.
Desejamos homenagear os pais, neste domingo, lembrando o drama que envolveu um pai de família zeloso.

O jóvem assassinado e seus pais.
Ontem, 9 de agosto de 2015, completou uma semana que o único filho do engenheiro Ronei Wilson Jurkfitz Faleiro e da empresária  Tatiane Faleiro foi brutalmente assassinado, a socos, chutes, garrafadas com o uso de garrafas quebradas, por desordeiros, enturmados na pequena cidade de Charqueadas, no Rio Grande do Sul. Participaram do ataque pelo menos oito adultos e seis menores de idade, todos identificados e sendo investigados pela polícia. 
Na madrugada do crime, Ronei fora esperar o filho na saída de uma festa organizada com o objetivo de angariar fundos para a formatura de sua turma de escola. Tudo transcorreu bem, mas, ao sair da festa, os jovens foram interceptados por um grupo em torno de 14 pessoas que passaram a agredi-los violentamente. Tentando ajudar os meninos, o pai desceu do carro e também foi agredido com chutes e garrafadas. Mesmo assim, conseguiu entrar no carro e levar o filho ao Hospital de Charqueadas, que o transferiu para o Hospital Santo Antônio, em Porto Alegre, onde não resistindo aos ferimentos morreu, por traumatismo craniano.
Conforme apurado pelas autoridades policiais, a motivação para as agressões foi banal e decorreu do fato de o jovem assassinado estar acompanhado de um casal de amigos, que residem na cidade vizinha, São Jerônimo.  
A gangue assassina, conhecida como “bonde”, dentre outros delitos menores, costuma agredir jovens forasteiros, conforme o Delegado de Charqueadas. Ao menos um dos integrantes do bando gabou-se da crueldade da fúria criminosa, utilizando-se do WhatsApp.
O fato, chocante, é coerente com a informação do Promotor de Justiça Roberto Alvim Junior, encarregado do caso, de que durante os depoimentos ao Ministério Público os suspeitos não demonstraram qualquer arrependimento sobre os seus atos: “ - Eles acham que isso é normal. Foi uma fatalidade, mas, para eles, é assim mesmo. Não percebem a gravidade do que fizeram.”
Pela televisão, assistimos a irremediável e profunda dor do pai pela perda do único filho, aos 17 anos de idade, resumida numa frase: “ – Não consegui proteger meu filho!”
A cena foi tão forte que mesmo o experiente apresentador do telejornal da TV Globo, Evaristo Costa, emocionou-se.
Trágicos assassinatos proliferam pelo País, tristemente. Podem ocorrer em qualquer lugar, a qualquer hora, com qualquer família. A violência incorporou-se ao nosso cotidiano. Em 2014, o Brasil atingiu o escandaloso índice de 25,81 assassinatos por 100mil habitantes, um número absurdo, quando comparado aos 10/100mil que a Organização Mundial de Saúde classifica como “índice de epidemia”.
A impotência dos indignados grita na promessa do Promotor de Justiça de que o MP não descansará enquanto não conseguir a internação máxima para os menores envolvidos: 3 anos!
Conforme as informações divulgadas, o menor assassinado pertencia a uma família estruturada. Era ótimo filho, amado e acompanhado por seus pais, excelente aluno, não tinha inimigos, todos gostavam dele e o admiravam. Tinha amor à vida e projetos para o futuro, queria cursar Mecatrônica...
Em nosso caminho de evolução progressiva há tropeços, avanços e até prudentes recuos. É sempre difícil aceitar e entender as razões dos desastres que vitimam pessoas do nosso convívio.  Só mesmo o tempo, o amor dos familiares, o afeto dos amigos, e a certeza de que a vida continua, pode reacender a confiança de que devemos nos unir cada vez mais e trabalhar pela construção de uma sociedade mais humana, justa, pacífica, solidária e responsável. Que o drama vivido pela família Faleiro, e tantas outras, nos mantenha despertos e ativos.
Neste “Dia dos Pais” estendemos um abraço fraterno e a solidariedade da CEPABrasil a todos os que assumem a função biológica ou não de pais (e mães) de verdade, que assumem e educam seus filhos com amor, respeito, atenção e limites.

Homero Ward da Rosa – Presidente da CEPABrasil 

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